Casal de jornalistas lança almanaque sobre “Os Melhores Detetives do Mundo”

Christh Lopes* | 16/12/2014 16:15
É elementar conhecer a fundo um personagem que você admira. No caso de um gênero policial, o protagonista, em geral, investiga e soluciona mistérios a partir de trejeitos característicos. Mas quais são os fatos que o fazem especial? Em “Os Melhores Detetives do Mundo”, Chris Lauxx desvenda material rico para quem pesquisa, se interessa ou é apaixonado pelo faro da apuração.

Crédito:Paulo Henrique Wolf
Casal usa pseudônimo em guia sobre os melhores detetives do mundo

Feito exclusivamente para o ambiente digital, o guia traz perfis, biografias e diversas curiosidades sobre a ficção policial, indo desde o seu surgimento até a atualidade. Assim, o leitor pode viajar pela linha do tempo e encarar os detetives mais durões, esquisitos e fascinantes ao redor do mundo. São 60 investigadores apreciados, que estão na literatura, cinema, quadrinhos, TV e games.
 
Por exemplo, os fãs de Sherlock Holmes conheceram um pouco mais sobre a 221B Baker Street, e ainda, se atentaram sobre fatos inusitados do detetive inglês. Pouca gente sabe, mas ele ‘é o filho legítimo de Auguste Dupin’. A frase, de Jeanette Rozsas, faz referência ao precursor dos detetives criado por Edgar Alan Poe. Há outras relações entre um e outro, como a companhia de um amigo próximo.

Há também os investigadores escandinavos, o morcego Batman, o hollywoodiano James Bond, entre outros. Todos ganham um retrato na obra, que nada mais é do que o resultado de um longo trabalho de apuração feito por Chris Lauxx, pseudônimo criado pelos jornalistas Ana Paula Laux e Rogério Christofoletti, autores e responsáveis pelo portal especializado em “Literatura Policial”. 

“Temos carreiras na academia e no mercado e seria muito conveniente ‘apimentarmos’ o lançamento do livro com um recurso bastante comum na literatura policial”, diz Ana, pesquisadora e gestora de redes sociais no mercado editorial. Por sua vez, Christofoletti é dramaturgo e professor. 

O docente afirma que, neste gênero, há casos de escritores que assinavam juntos. “Os primos Daniel Nathan e Maniord Lepofsky eram Ellery Queen, e mais recentemente, surgiu Lars Kepler (autor de ‘O Hipnotista’ e ‘Pesadelo’), que, na verdade, é o casal Alexandre e Alexandra Andhoril”. 

“Sim, eles fazem muito sucesso no Brasil e no mundo. Aliás, antes deles, tinha outro casal sueco de jornalistas que escrevia a quatro mãos:  Per Wahlöö e Maj Sjöwall”, completa Ana Paula Laux. O nome escolhido do pseudônimo, portanto, foi uma brincadeira com os seus próprios sobrenomes. 

Gostos e preferências

Quando se trata dos personagens favoritos, o casal tem preferências complementares. Ana gosta muito dos personagens mais clássicos, como Sherlock Holmes, Maigret, Poirot e demais de Agatha Christie. Rogério aprecia os contemporâneos: Delegado Espinosa (do brasileiro Luiz Alfredo García-Roza), Kay Scarpeta (de Patricia Cornwell) e o casal Patrick e Angela Kenzie (de Dennis Lehane). 

Com o gosto pela ficção policial em simetria, passaram cinco anos entre a pesquisa, redação e revisão do livro. “Tudo começou em 2009 quando Ana Paula produziu o "Almanaque dos Grandes Detetives", uma publicação ilustrada com dez personagens e que lhe serviu como trabalho de conclusão no curso de jornalismo”, relata Rogério Christofoletti.

Depois, entusiasmada, passou a ampliar a lista e convocou Rogério para um trabalho de ‘maior fôlego’.  O tempo passou e conseguiram chegar a 60 personagens. No final do livro, há outros 150 detetives colocados na linha do tempo da obra para motivar o leitor a ir adiante com as leituras. 

Crédito:Divulgação
Obra traz linha cronológica de detetives

Para organizar tamanho material, a apuração foi por etapas. No início, cada um ficou responsável por um grupo de personagens, conforme predileção e conhecimento prévio. Logo, pesquisaram juntos os demais. Depois, definiu-se os capítulos e cada um revisava o texto do outro, com ajustes e reparos. “No último ano, a parceria estava tão orgânica que era difícil dizer quem tinha feito o quê”.

Guia conta com linha do tempo 

O almanaque de detetives segue uma ordem cronológica, como uma linha do tempo. Por meio dela, o leitor terá  a noção da evolução do gênero ao longo das décadas, conhecendo cada protagonista e suas contribuição para o desenvolvimento da ficção policial. Porém, há outra forma de ler o guia, através dos seus gostos e preferências, de acordo com a conveniência e predileção dos personagens. 

“Assim, o leitor pode escolher por onde começar. Como se trata de uma obra que informa e que diverte, queríamos imprimir um formato lúdico, interessante, envolvente. Deixar o leitor decidir pela melhor forma de ler é só o primeiro passo...”, diz Christofoletti. Caso queira ir mais afundo no universo dos detetives, veja uma amostra grátis do livro e um quiz para testar seus conhecimentos.

A brincadeira online permite que o internauta possa responder às perguntas que vão ficando cada vez mais complexas. A cada bateria de questões, o jogador sobe na carreira detetivesca e, no final, pode conferir sua posição no ranking. O site também oferece um passo-a-passo para quem não está familiarizado com livros eletrônicos.

O guia pode ser lido por aparelhos que oferecem tal recurso. Por meio dos chamados e-readers, celulares (Android ou iOS), tablets, notebooks ou, também, computadores. “Decidimos enveredar pelo mercado de livros eletrônicos por ele estar em franco desenvolvimento no país. O desafio nos motivou! Mas se uma editora tiver interesse numa versão impressa, estamos abertos a novos projetos. Tais personagens cairiam bem nas estantes”, diz Ana.

Repercussão e novos projetos

Para promover o lançamento de “Os Maiores Detetives do Mundo”, os jornalistas disponibilizaram o livro gratuitamente no site da Amazon por três dias. “Nossa Black Friday se estendeu por todo o final de semana e alcançamos o 1º lugar entre os mais baixados na categoria "Crime, Suspense e Mistério”, comemora Rogério Christofoletti. “E ficamos em 5º no ranking geral”, acrescenta Ana. 

Entre os livros da área, o guia ficou atrás apenas de “O Cão dos Baskervilles”, justamente uma das aventuras de Sherlock Holmes. Na avaliação dos autores, o desempenho ajuda a disseminar a publicação e a fixar o nome de Chris Lauxx no mercado editorial que se dedica à ficção policial. 

O objetivo, portanto, é abrir caminho para o romance de estreia do casal neste tipo de ficção. IMPRENSA apurou que será uma aventura que se passa em Florianópolis em 2009, e que resulta numa fila de corpos. Ele chegará às bancas em 2015. “O leitor encontrará uma jornalista que se vê - mesmo sem querer - desvendando os motivos dos assassinatos que rondam a sua vida”, conta Ana.

O projeto seguirá a tendência. Segundo os autores, o gênero evoluiu bastante, seja na narrativa, como na estética, espalhando-se territorialmente e “contaminando” outras mídias e produtos da cultura de massa. “O gênero policial reúne alguns dos maiores best-sellers do momento (como Robert Galbraith - que na verdade é a J.K.Rowlling -, James Patterson, Harlan Coben), inspira filmes de sucesso e seriados de TV, e esse fôlego parece estar longe de terminar…”, conclui Christofoletti.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.e

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