Cid Moreira, ex-"Jornal Nacional", reinventa carreira e aposta na web

Jéssica Oliveira* | 10/09/2012 15:00
Três letras formam o primeiro nome da voz que desperta uma série de lembranças em milhões de brasileiros. Foram 27 anos de “Jornal Nacional”, da TV Globo, maior telejornal do país, e são pelo menos 65 de carreira. Prestes a completar 85 anos no dia 29 de setembro, Cid Moreira trabalha intensamente cuidando de seus projetos, do corpo, da mente e da alma.  

No mês em que completa seus 25 anos, IMPRENSA homenageia alguns oitentões que continuam inventando e reinventando a história do jornalismo por meio de oito colegas. São eles: Adísia Sá, Claudio Carsughi, Carlos Heitor Cony, Ethevaldo Siqueira, Léo Batista, Orlando Duarte, Salomão Esper e Cid Moreira. Abaixo, confira trechos da entrevista com o narrador.  

Crédito:Arquivo Pessoal
Com sua esposa e também jornalista, Fatima Moreira Sampaio

O narrador prepara um site com memórias de sua carreira que será hospedado na TV Globo. “Há momentos muito importantes. Quero mostrar tudo isso para qualquer um poder acessar na internet”, afirma. Toda sua narração e locução de textos bíblicos e de sua biografia “Boa Noite”, livro escrito por sua esposa, a jornalista Fátima Sampaio Moreira, também estarão na página. 

Além disso, haverá um concurso para seus fãs-imitadores. “Quero ver quem imita melhor, quem escreve a melhor crônica, a melhor mensagem, aí vou gravar”, adianta. A página deve estar disponível já no próximo mês.

Desde que deixou a bancada do "JN", onde ficou de 1969 a 1996, onde imortalizou sua voz, Cid dedica-se exclusivamente à narração e locução da Bíblia. Na época, foram seis anos de trabalho intenso. “Praticamente não fiz mais nada. Acordava e já ia para o computador, ouvir trilhas, pensar nos detalhes de personagens, efeitos da natureza”, lembra.

O jornalista afirma que gosta muito dos livros de Salmos, Provérbios e Eclesiastes, este último por abordar as grandes ilusões do mundo, como viver correndo atrás de dinheiro. “Tem gente que passa privações só para não gastar. Aí quando morre, pessoas que ele mal conhece é que vão usar o dinheiro. Daqui não levamos nada”, diz.

Para ele, a pessoa tem que viver bem, em plenitude. “Se ficar guardando dinheiro, não viajar e não usufruir das coisas boas da vida, alguém vai usar isso”.

Dia a dia
Morando no Rio de Janeiro desde o início dos anos 50, Cid conta que hoje fica praticamente o dia inteiro no computador. Apesar disso, não lê jornais online. Ele até tentou, mas “desistiu.” “Cheguei a desistir do impresso, mas voltei atrás e desisti do online. Tem horas que falta energia... e gosto mesmo é de acordar, sentar, pegar o jornal... acho que vou ficar mais nas antigas”.

Com uma mini academia em sua casa, diariamente o narrador faz cerca de 6km andando em menos de uma hora, sempre a “passos acelerados.” Mas não só. Cid levanta um pouco de peso, faz alongamento e joga tênis. “Quer dizer, já joguei tênis, agora estou na brincadeira”, conta aos risos. 

A grande aldeia
“Qual sujeito da minha época sonhava em assistir uma partida de futebol do outro lado do mundo e em cores?”, pergunta, ao comentar as mudanças na velocidade das notícias. Sem ar saudosista, Cid comemora a evolução das comunicações. “O mundo é assim mesmo, tudo evolui, tudo se transforma. O jornalismo hoje é evidentemente mais rápido, mais ágil, mais solto, mais comunicativo, mais tudo”, finaliza.

Leia a matéria completa na edição de setembro (282) de IMPRENSA.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves