Chargistas entram em campo para relembrar ilustrações marcantes sobre a Copa

Redação Portal IMPRENSA | 04/06/2014 14:00


No mês em que se inicia a Copa do Mundo no Brasil, todos os olhos estão voltados para o país-sede do torneio, e não é para menos. Passarão por aqui 32 seleções e há a expectativa da visita de 600 mil estrangeiros, segundo o Ministério do Turismo. Ligados em todos os movimentos da competição, não são apenas os jornalistas que têm feito o “dever de casa”.

Crédito:Mário Alberto/ Lance!
Considerados “cronistas do traço”, os chargistas também têm se empenhado nessa cobertura. Diante do turbilhão de denúncias de superfaturamento e atrasos nas obras dos estádios, o torneio passou a integrar não só o noticiário de esportes, mas também o de política, economia e o internacional. Para o tema se tornar “um prato cheio” para os chargistas, foi um pulo.

Mário Alberto – do jornal Lance! – tem no currículo a cobertura “chargística” de quatro Copas. O ilustrador confessa que mal pode esperar pelo que virá a partir do dia 12 de junho. “A cada dia me parece mais claro que nunca antes houve uma Copa tão boa para os que trabalham com humor gráfico deitarem e rolarem”.

Para ele, o humor aliado à crítica é fundamental para uma boa charge, principalmente quando o tema é futebol. Em uma de suas ilustrações, publicada no carnaval deste ano, a presidente Dilma Rousseff, o ex-jogador Ronaldo e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, aparecem fantasiados no bloco “Relaxa, Valcke!”. “Diante das reclamações do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, imaginei esse bloco de rua que, ao mesmo tempo em que ironiza as críticas do francês, meio que o convida para se juntar à folia do jeitinho brasileiro de fazer as coisas”.

Pessimista, eu?
Os olhares mais atentos que acompanham as charges na imprensa, muito provavelmente, já se deram conta das referências aos gastos excessivos da Copa, denúncias de corrupção, entre outros temas espinhosos. Também não faltam citações ao “legado da Copa” em detrimento ao que é investido em educação e saúde. O cenário, de fato, é propício às críticas, mas será que os chargistas têm pesado na tinta?

Prestes a completar oito Copas na carreira, o cartunista Amorim acredita que não. “Por ser no Brasil, você fica muito mais crítico. Nesta Copa, não está tendo ‘oba-oba’. Por ser aqui, ela afeta diretamente o leitor. Sinto que, quando solto uma crítica um pouco mais seca, o leitor concorda, porque ele está vendo tudo. Não é implicância do chargista”.

Segundo Gilmar, que publica suas charges em diversos veículos impressos e on-line, como UOL Entretenimento, Folha de S.Paulo e jornal da OAB, é papel do chargista ter esse olhar mais crítico. Em uma de suas ilustrações, um funcionário chuta o balde literalmente, depois que o chefe informa que só vai decidir aos 45 minutos do segundo tempo se vai dar folga ou não. “Para as minhas charges, pego o mote das nossas carências sociais, a falta de saúde, educação, a má administração pública, fazendo um contraponto com a galera toda se preparando para o futebol. Esta é a hora que muitos esquecem essas tragédias”, lamenta.




Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". Acesse o hotsite