Única representação gráfica na editoria de opinião, charge ganha força no período eleitoral

Redação Portal IMPRENSA | 13/08/2014 13:15
Durante a ditadura militar no Brasil, a charge política ganhou relevância por conseguir driblar a mordaça imposta à imprensa. Haja vista o trabalho de cartunistas como Millôr Fernandes, Ziraldo e Jaguar à frente de O Pasquim, um dos mais importantes veículos de resistência da época. Cinquenta anos se passaram desde então e, mesmo em meio à democracia, as charges continuam com papel importante, sobretudo em período eleitoral.

Como já esperado, a corrida à presidência promete ser acirrada, principalmente diante da indefinição de parte do eleitorado. A pouco mais de dois meses para as eleições, 11% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar, segundo o levantamento do Datafolha divulgado no começo de julho pelo jornal Folha de S. Paulo. O número pode ser determinante para a eleição de um dos três candidatos que estão à frente nas pesquisas, entre eles, a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), respectivamente.

É nesse universo que as charges ganham força no noticiário como mais uma forma de desenvolver o senso crítico do eleitor. Para o chargista freelancer Bruno Galvão, as ilustrações com viés político têm o poder de dar um novo ponto de vista para assuntos já desgastados. “A charge política auxilia na formação crítica dos leitores.

Muitas vezes, o assunto foi tão explorado que uma charge pode trazer um novo olhar”. Benett, que publica na Folha e na Gazeta do Povo, concorda com o colega, destacando que nem sempre é fácil trazer esse novo olhar, sobretudo em temas mais batidos, como corrupção e nepotismo. 

“O que ajuda é ter um posicionamento claro em relação a determinado assunto, como a Comissão da Verdade, por exemplo. E o que atrapalha é quando temas começam a se repetir, que você está cansado de desenhar. Aí você precisa espremer o cérebro para conseguir algo que seja inteligente, divertido, crítico e, acima de tudo, original”.

Ciente da responsabilidade, Simanca, do jornal A Tarde, destaca o poder da charge aliado ao humor, que tem sua mensagem potencializada. “Não há como fugir dela. A sátira é um incômodo retrato dos fatos. Os indivíduos antidemocráticos e fanáticos detestam o humor. Ele é um elemento fundamental para a liberdade de pensamento”.

Jota A, que publica no jornal O Dia, de Teresina (PI), ressalta que uma boa charge deve ser, acima de tudo, independente. “O chargista não deve ter partido político, nem se ater a grupos religiosos. Se ele tiver esse tipo de amarra, a força de seu desenho diminui”, finaliza.