Locutora de comerciais fala sobre experiência de ser voz padrão do antivírus AVAST

Danubia Paraizo | 05/12/2014 14:15
Os usuários do AVAST, um dos antivírus gratuitos mais famosos do mundo, já devem estar acostumados com a visita de Simone Kliass em suas casas. A atriz e locutora é quem empresta sua voz ao programa, avisando os consumidores que “suas definições de vírus foram atualizadas” assim que um computador é ligado.

“Gravei pelo menos dez mensagens diferentes. Se você só ouvir essa primeira fala é motivo para ficar feliz. Tem um monte de coisa trash que pode acontecer com seu computador”, brinca a paulistana, que também coleciona incontáveis comerciais de TV e rádio no currículo.

Crédito:Danúbia Paraizo
Simone Kliass é a voz padrão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e do antivírus AVAST
Formada em artes cênicas, administração de empresas e locução, Simone é a atual voz padrão do aeroporto internacional de Guarulhos, onde suas mensagens com orientações de embarque e segurança podem ser ouvidas diariamente. “A ideia era passar certo acolhimento. Receber bem as novas pessoas que estão frequentando o aeroporto. A direção queria que o público se sentisse bem recebido por uma voz mais acolhedora e, assim, deixá-los à vontade”, explica a locutora sobre o briefing que recebeu.

Com uma agenda em que a palavra rotina não existe, Simone grava pelo menos cinco comerciais diferentes por dia. E como as demandas são sempre para ontem, ela precisou abrir um estúdio profissional em casa. É de lá que muitas vezes envia o áudio bruto para as produtoras, responsáveis por fazer “a mágica acontecer”, combinando a trilha sonora e mixagem.

Entre as marcas que a locutora já emprestou a voz, destaque para O Boticário, Hipoglós, Red Bull, MSC Cruzeiros, Always e TRESemmé. Mas antes que alguém possa imaginar que ser locutor é só glamour e também queira se aventurar na profissão, Simone avisa: ter voz bonita não basta. “A pessoa tem que começar estudando. Ter foco, fazer um curso de teatro, de locução. Como qualquer outra profissão, tudo leva tempo, não é amanhã que você já vai estar gravando.”

Filha de peixinho
Desde pequena, a locutora sempre foi muito tímida e retraída. Curiosamente, quando ouvia a palavra “gravando”, se transformava. Se sentia verdadeiramente em casa em frente às câmeras. Sua carreira de atriz começou cedo, aos 9 anos, quando já fazia alguns comerciais de TV.

“Minha mãe era modelo e eu ia junto com ela porque não tinha com quem me deixar. Era uma criança com uma timidez absurda, não falava com ninguém. Ficava atrás da saia dela. Na hora do teste, eu ficava o tempo todo agarrada, quando me chamavam, eu pirava. Adorava viver no mundo da fantasia”, confessa.

Crédito:Danúbia Paraizo
A locutora já narrou centenas de comerciais para grandes marcas
Foi de pequena também que Simone aprendeu uma grande lição na carreira. Logo em seu primeiro comercial, a campanha da Estrela não foi ao ar. “Foi um comercial maravilhoso, produziram um figurino e eu era a princesa do espaço, mas deu um problema com o brinquedo e a peça não foi ao ar. Foi bom para ter noção da realidade, saber o que é frustração.”

Integrante e diretora social da Associação dos Profissionais de Voz em Publicidade de São Paulo, mais conhecida como Clube da Voz, Simone explica que trabalhar com a fala nunca foi sua primeira opção. As oportunidades surgiram naturalmente. Tudo começou quando gravou um comercial para a revista Época no centro de São Paulo, e como o som não ficou muito bom, foi chamada para dublar a própria fala. “A partir disso começaram a me chamar para fazer só locução.

Não foi uma escolha. Uma das primeiras campanhas foi para as lojas Marisa. Eu não tinha a menor ideia de como me portar.” Com o tempo, foi pegando o jeito. Aprendeu sobre a distância do microfone, como colocar o fone e projetar a voz. Apesar de aprender muita coisa na prática, ela fez questão de se profissionalizar e fez um curso de locução no Senac. “O profissional da área tem que entender que não trabalha só com a voz, mas que a atuação por completo é um meio para vender um produto ou serviço. Somos uma pecinha de uma coisa muito maior.”

Apaixonada pelos instrumentos de trabalho de sua profissão, Simone mostra à reportagem de IMPRENSA cada detalhe do estúdio, onde costuma gravar alguns comerciais. Ela chama atenção para os cuidados que deve ter antes de gravar, como escovar os dentes, para impedir que caia sujeira no microfone, e relembra um de seus trabalhos mais divertidos.

“Era a campanha para uma marca de biscoito, e no final eu fingia roubar alguns e falava de boca cheia. Imagine o meu desespero de ter que comer dentro do estúdio? Na minha cabeça não podia, porque os equipamentos são caros. Imagina cair farelo no microfone?”, diverte-se. Nenhuma história, no entanto, foi tão divertida quanto a vez que precisou interpretar a voz de uma árvore velha.

“Lembro que o diretor falava assim: ‘Balança mais as folhas’. Isso já se passava das 21h. Acabei não sendo aprovada. Fui muito gongada. Mas tudo bem. Nesse meio, a gente é aprovado e desaprovado o tempo todo. Faz parte.”