Ricardo Lombardi e os livros do “Desculpe a Poeira” e a psicologia de Felipe Pena

Redação Portal IMPRENSA | 22/01/2015 14:15
Garimpeiro de livros
Em meio às discussões sobre o futuro do jornalismo impresso diante do avanço acelerado do mundo digital, o jornalista Ricardo Lombardi pode ser considerado um símbolo de resistência.

Crédito:Danubia Paraizo
Diretor de conteúdo do Yahoo! há até poucos meses, com sólida carreira em grandes veículos, como Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo, revistas VIP, Bravo!, entre outras, ele trocou o cargo de executivo para se dedicar a um charmoso sebo na região de Pinheiros, na capital paulista.

Como forma de materializar a proposta do blog Desculpe a Poeira, hospedado no site do Estadão, em que seleciona livros interessantes, Lombardi abriu uma loja de mesmo nome, onde pode sugerir de forma mais personalizada as obras para seus consumidores.

“Me incomodava um pouco a maneira como os sebos tradicionais estavam evoluindo, se tornando apenas um depósito de livros usados. Porque não ter um acervo onde cada livro tivesse uma razão para estar ali?”.

Lombardi andava incomodado por estar se afastando do coração do jornalismo ao assumir funções administrativas e encontrou no sebo um novo projeto de vida. “Aqui sou dono do meu horário. Consigo almoçar na minha mãe, buscar meu filho na escola. Tenho uma flexibilidade que não tinha”.

Com 25 anos de jornalismo, o agora livreiro explica que o alicerce que construiu ao longo da carreira continua sendo muito útil. “Os livros que estão aqui não estão apenas por uma decisão comercial, mas por uma questão editorial também”.

Psique de jornalismo
Crédito:Divulgação
São poucos os jornalistas que têm a oportunidade de estrear na carreira sendo foca de Tim Lopes. Foi assim com Felipe Pena quando entrou como estagiário na editoria de “Polícia” do jornal O Dia, em 1992. Os jovens aprenderam alguns dos truques do jornalismo investigativo com o experiente repórter.

“Ele adorava se fantasiar para fazer algumas reportagens e nos ensinava. Nos plantões, levava os estagiários para comer na Casa da Feijoada, em Ipanema (RJ). Aprendemos muito com ele”, conta. As experiências em “Polícia” trouxeram boas inspirações para seus romances policiais, mas Felipe achou que ainda faltava alguma coisa para complementar a profissão.

“Precisamos de outras formações para se estabelecer melhor e ter uma visão de mundo mais ampliada. No meu caso, faltava um olhar sobre a psique dos meus personagens, tanto ficcionais como das reportagens. Por isso segui a psicologia”, afirma.

Além de atuar como roteirista, professor na Universidade Federal Fluminense (UFF), escritor e comentarista de comportamento da GloboNews, o jornalista tem uma clínica e atende cinco pacientes – mas nunca deixa que venha o sexto, para poder conciliar e se concentrar em todas as atividades.

Segundo ele, tudo mudou após a faculdade de psicologia. “A partir do momento que você tem uma visão da psique do outro, olhamos de maneira diferente, menos ingênua. Passamos a ter mais subsídio pra entender determinadas ações e atitudes”.