Reginaldo Lopes, sonoplasta da Jovem Pan, conta os bastidores da programação da rádio

Jéssica Oliveira e Guilherme Athaide | 24/06/2015 14:15
Para explicar a tatuagem que remete a sua família, Reginaldo Lopes deixa escapar o nome do chefe antes mesmo de justificar a frase na pele. O ato falho não sai por menos, já que lar e trabalho se confundem na vida do sonoplasta da rádio Jovem Pan. “Fico o dia inteiro aqui. É minha segunda casa. Ou primeira, né? Fico mais aqui do que lá”, relata, gargalhando. 
Crédito:Jéssica Oliveira
Reginaldo Lopes é sonoplasta da Jovem Pan há mais de uma década
Há 25 anos trabalhando nos estúdios de rádios AM e FM, sempre com jornalismo, Lopes está há 14 na Jovem Pan, onde comandou a sonoplastia das últimas quatro Copas do Mundo. Esse período coincide também com altos e baixos de seu time do coração: o Palmeiras. O futebol, aliás, talvez seja a única paixão que dispute espaço com o rádio. 

“Eu fiz uma série de reportagens especiais na primeira queda do Palmeiras [em 2002] e outra quando o time subiu. Nessa hora tem de ser profissional e fazer”, lamenta. “Não chorei, mas sinto pelo meu filho, o Bernardo, de 11 anos. Ele é muito mais palmeirense do que eu. E olha que eu sou palmeirense, hein!”. 

Nas peladas com o time da rádio, Lopes conta que sempre deixa sua marca. “Meu nome é Artilheiro. Reginaldo Lopes das Graças Artilheiro. E no futebol é artilharia total também”, revela, aos risos.

Bate bola com jornalistas

Futebol e sonoplastia se misturam não apenas na mesa de som, mas também nas comparações e metáforas que ele utiliza para explicar seu trabalho. Para ele, rádio é um time que precisa jogar junto nas posições da produção, jornalismo e sonoplastia. “O sonoplasta seria o meio de campo, porque ele toca a bola, deixa ela redonda para o atacante (âncora) fazer o gol.” 

E que atacantes a Jovem Pan colocou para serem servidos por Reginaldo! Independentemente de visões políticas ou polêmicas, o time de âncoras para os quais o sonoplasta toca a bola é digno de disputa de campeonato. Às seis da manhã, ele comanda a mesa de som do “Jornal da Manhã”, com Rachel Sheherazade e Joseval Peixoto. Depois, passa para um estúdio onde são gravadas as reportagens especiais da casa. No fim do dia sai em direção ao programa “Nos Pingo dos Is”, apresentado por Reinaldo Azevedo.                                                                                     

Se os gols trazem vitórias, a carreira do sonoplasta é cheia de títulos. Somando as vezes em que venceu prêmios como o CNI de Jornalismo ou da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca), por exemplo, Lopes já tem cerca de cinco premiações na carreira. Não que ele dê muita importância para isso. “Faço a matéria pensando nela, não nos prêmios. Se ela ganhar, dia a dia, ele recorda-se de um de seus primeiros “alunos”, o hoje experiente repórter Thiago Uberreich, da Jovem Pan. “Ele levava fitinha no rolo para eu editar lá na rádio Eldorado e hoje a gente está fazendo reportagem especial juntos. Olha como ele cresceu.”


Magia e vício em rádio

Pela primeira vez na carreira, Lopes aproveita da fama repentina, fruto das interações com o âncora Reinaldo Azevedo durante o programa “Os Pingos nos Is”, que é líder de audiência no horário. “Ele [Reinaldo Azevedo] fala muito comigo na transmissão. Ao conversar comigo, ele está se comunicando com os ouvintes. Agora sempre tem alguém me chamando onde eu vou. Isso é a magia do rádio.”

Essa magia o cativou ainda na adolescência. Caçula de três irmãos, Lopes gostava de acompanhar o mais velho na rádio ABC de Santo André, onde trabalhava. Uma vez, um dos funcionários faltou e, de tanto observar o irmão, Lopes estava a postos para entrar no estúdio e cuidar da sonoplastia do programa. Sua “estreia” foi aos 14 anos de idade. E não parou mais. Desde então, já passou pelas rádios Imprensa, Eldorado, Gazeta e, finalmente, Jovem Pan. “Nenhum dos meus irmãos trabalha na área hoje. Mas eu não me imagino longe do rádio. É algo viciante.”  

O amor pela família e pelas ondas sonoras se mesclou na tatuagem, citada no começo da reportagem. Anos antes de entrar na Jovem Pan, Reginaldo Lopes havia cravado no braço um famoso bordão da rádio: “Família. O berço de tudo”. Talvez por isso ele se sinta tão em casa dentro do estúdio.