Arcebispo demite conselho editorial de jornal e determina recolhimento de exemplares

Arcebispo demite conselho editorial de jornal e determina recolhimento de exemplares

Atualizado em 25/11/2009 às 17:11, por Redação Portal IMPRENSA.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, demitiu parte do conselho editorial do Jornal Pastoral - que circula por cerca de 70 municípios da região - e determinou o recolhimento dos exemplares da edição de setembro.

O motivo seria o conteúdo editorial da edição. Em texto intitulado "Do toma lá dá cá ao projeto popular", o jornal criticou prefeitos da região e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Entre as críticas, o Jornal Pastoral questiona as despesas da prefeitura de Piranga (MG), que gastou aproximadamente R$ 375 mil nas obras de uma praça - quando o valor médio correto seria de R$ 150 mil.

Em outro trecho, a publicação diz que "o governo Aécio, sob a diligência da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, canalizou recursos da ordem de R$ 15 bilhões, em grande parte recursos públicos, para quatro empresas [Vallourec, Sumitomo, CSN e Gerdau] ampliarem ou consolidarem seus próprios negócios na região do Alto Paraopeba. O dinheiro é suficiente para a construção de 700 mil casas populares ao preço de R$ 20 mil cada, quase quatro vezes mais do que os R$ 4 bilhões reservados pelo governo federal para programas de moradia em todo o Brasil".

No mês de outubro, Dom Geraldo se manifestou no próprio jornal contra o editorial. "Não concordo, não aceito e não aprovo o editorial do Jornal Pastoral do mês de setembro. A Arquidiocese de Mariana não se responsabiliza pelas afirmações e acusações aí expressas. Seja essa a última vez que o Jornal Pastoral incorre em erro tão grave. A fé cristã implica em compromisso social e a Igreja Católica nunca renunciará à sua missão de ser advogada dos pobres e injustiçados", disse.

Segundo o jornal Brasil de Fato , um religioso envolvido no caso afirmou que "o editorial condiz com o que pensa a Igreja voltada para o compromisso social. Por isso, avaliamos que esta é uma posição pessoal do bispo. Ele tem uma visão de Igreja. E nessa visão ele tem preocupação de manter o nome da Igreja. E qualquer coisa que venha colocar em questionamento a posição da Igreja ele teme e foge do conflito. Pois grande parte da Igreja ainda tem medo do conflito e tem medo de se colocar contra a posição do poder político".

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