Astronomia Brasileira - Por Hemerson Brandão/Bragança Paulista - SP
Astronomia Brasileira - Por Hemerson Brandão/Bragança Paulista - SP
É comum ouvirmos a afirmação que a Astronomia no Brasil é a que mais cresce no mundo, mas alguns pessimistas poderiam dizer que essa expansão é ilusória, por estarmos muito atrasados em relação aos outros países. Mesmo sendo discutível, podemos afirmar que a Astronomia vêm se movimentando nos últimos anos, objetivando provar que essa afirmação tem um fundo de verdade.
Um dos grandes motivadores das iniciativas astronômicas em nosso país, ocorreu nos últimos anos, com o advento da internet, quando os pequenos nichos onde a Astronomia se aglomerava, conquistaram a possibilidade de uma maior comunicação e integração, como nunca havia existido antes. Dessa semente, nasceram frutos como os ENASTs - Encontros Nacionais de Astronomia, onde todos os anos vêm congregando um número cada vez maior de entusiastas e profissionais de diferentes localidades do país. No ultimo encontro foram reunidos mais de 600 participantes na cidade de Brotas/SP, e possivelmente neste ano, em Curitiba/PR, um novo recorde será quebrado.
Através desses contatos, onde foi possível a troca de conhecimento e experiências, a Astronomia Amadora Observacional começou a despertar, e já começamos a colher as primeiras descobertas brasileiras. Em Julho de 2005, a dupla brasileira C.W. Juels e Paulo R. Holvorcem, colecionou sua segunda descoberta, quando encontraram um cometa difuso através de câmeras CCDs. SN2002bo é o nome da supernova descoberta por Paulo Cacella, a primeira descoberta do gênero por um astrônomo amador brasileiro. Estas descobertas são grandes incentivadoras para a continuação dos trabalhos observacionais da REA Brasil - Rede de Astronomia Observacional, e agora do novo BRASS, programa brasileiro para busca de supernovas, que já colecionou 8 descobertas, iniciativa dos astrônomos amadores Cristóvão Jacques e Tasso Napoleão
A importância dos clubes e associações astronômicas ao se reunirem em torno de iniciativas de divulgação e pesquisa da Astronomia, pode ser demonstrado pelo trabalho do CAsB - Clube de Astronomia de Brasília, ao promover uma maratona observacional com o objetivo de oficializar o esquecido Catálogo Jatobá, o primeiro catálogo brasileiro de objetos difusos do céu, criado por Tasso Napoleão na década de 80, o primeiro catálogo exclusivo para o céu austral.
Já na Astronomia profissional, Augusto Daminelli desafiou astrônomos do mundo inteiro, quando provou que sua teoria de que a gigante estrela Eta Carina na verdade eram duas estrelas, estava correta. Enquanto Kepler Filho descobria sua estrela com a mesma composição de um diamante e José Medeiros desenvolvia pesquisas sobre a velocidade de rotação de estrelas gigantes, Márcio Catelan recebia o prêmio Hubble Fellow, uma das premiações mais importantes do mundo na área, devido aos seus estudos sobre os aglomerados estelares e estrelas velhas. João Steiner, um dos maiores especialistas em quasares do mundo, trabalha no novo telescópio SOAR, no Chile, telescópio este que recebeu peças projetadas pelo engenheiro brasileiro Raymundo Baptista. Tudo isso está sendo possível, graças às fundações de amparo à pesquisa que vêm investindo na pesquisa científica nacional, oferecendo aos astrônomos brasileiros, tecnologia de ponta. Com esse investimento, teremos a oportunidade de realizar pesquisas equivalentes à de grandes centros de pesquisas do mundo.
Em 2006, ano este que comemoramos o centenário do vôo histórico e pioneiro de Santos Dumont, deve novamente entrar para a história da aviação, quando o Tenente Coronel Marcos Pontes, será o primeiro brasileiro a alcançar o espaço, num vôo muito mais alto que seu compatriota Dumont. Um grande salto que abrirá portas para pesquisas e investimentos na tecnologia brasileira, quando participará do projeto conjunto de 16 países, de construção e pesquisa da Estação Espacial Internacional, o maior complexo construído em órbita da Terra.
Sem dúvida o Brasil ainda carece de investimentos na pesquisa científica e principalmente na educação, já que a taxa de analfabetismo científico da população ainda é demasiado elevada, mas com a motivação e criatividade destes que decidiram lutar pela expansão da nossa Astronomia, temos a certeza que num futuro não muito distante essa meta será alcançada, quando nos aproximaremos do patamar de líderes mundiais nas pesquisas astronômicas, assim como foi nos estudos sobre doenças tropicais, pesquisas agronômicas, além das técnicas inovadoras na cardiologia.






