Entrevista: Vaguinaldo Marinheiro, secretário de redação da Folha de S.Paulo, fala sobre a rotina de trabalho no jornal

Entrevista: Vaguinaldo Marinheiro, secretário de redação da Folha de S.Paulo, fala sobre a rotina de trabalho no jornal

Atualizado em 23/08/2006 às 13:08, por Otávio Grillo/Redação Portal IMPRENSA.

Entrevista : Vaguinaldo Marinheiro, secretário de redação da Folha de S.Paulo , fala sobre a rotina de trabalho no jornal

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Na última segunda-feira, dia 21, o jornal diário Folha de S.Paulo foi representado pelo secretário de redação Vaguinaldo Marinheiro na entrega do Troféu Dia da Imprensa, realizada no restaurante Festivo, em Pinheiros, São Paulo. Há 17 anos a frente do cargo, o secretário concedeu entrevista para a revista IMPRENSA, que pode ser conferida abaixo.

IMPRENSA - Como é sua rotina como secretário de redação da Folha de S.Paulo ?
Vaguinaldo Marinheiro -
Em geral, meu trabalho consiste em chegar bem cedo na redação, ler todos os jornais, para depois ir à primeira reunião do dia, às 9 horas. É aqui que começa o "start" na produção do jornal, onde discutimos as qualidades e os defeitos da edição do dia e quais devem ser as prioridades para aquele dia em todas as editoriais.

IMPRENSA - Se comparado com alguns outros jornais, a Folha se mostra um veículo mais aberto, livre. O jornal tem realmente essa liberdade na escolha das matérias e como funciona esse processo dentro da redação?
Marinheiro -
Temos nossas pautas, mas a agenda tem que ser respeitada. Por exemplo, nesse momento temos a campanha à presidência, aos governos dos Estados, como também para deputados federais e estaduais. Essa é uma agenda que temos cumprir obrigatoriamente. Mas existe aquela parte um pouco mais solta, onde você permite que o jornal aposte em outros assuntos para que ele se diferencie da concorrência. A idéia é que quando o leitor receba ou compre o jornal, ele saiba porque um jornal é diferente do outro para que possa escolher qual quer assinar ou comprar.

IMPRENSA - Como funciona o processo de fechamento no jornal Folha de S.Paulo ?
Marinheiro -
Nos quase 17 anos que me dedico à Folha minha vida foi, praticamente, cuidar do fechamento. Temos dois fechamentos diários, um que fecha às 20h30 chamado de edição nacional e a edição São Paulo que fecha às 23h15. Se for preciso é possível fazer algumas trocas de matérias ou atualizações nesses fechamentos. Como em quase em todos os jornais, o fechamento em si tem muita adrenalina, pois temos que inserir para o jornal do dia seguinte, o máximo de informações que aconteceram no dia anterior para que o leitor fique bem informado a respeito dos fatos.

IMPRENSA - Como você enxerga a mídia brasileira na atual conjuntura política e econômica?
Marinheiro -
A mídia brasileira tem melhorado muito ao longo dos anos no processo de democratização do Brasil, que tem mais de 20 anos. Vejo que as instituições como um todo tem evoluído, com a mídia no encalço desse processo, mostrando-se mais independente nos grandes centros. Está conseguindo ser crítica com relação aos poderes, o que é essencial para a democracia.

IMPRENSA - Existem muitos prêmios relacionados com a mídia de uma forma geral, inclusive o Troféu Dia da Imprensa, que está em sua primeira edição. Qual sua opinião sobre esse estímulo dado para a classe jornalística?
Marinheiro -
Sem dúvida que estimula. Acredito ainda que a vantagem desse prêmio que estamos recebendo agora é por causa da participação do leitor, pois foi ele quem votou via internet. É muito diferente quando a premiação é julgada pela própria classe, pois corremos o risco, quando isso acontece, do processo ficar um pouco viciado, com um pouco mais de interesse nos meandros da premiação. Mas quando são os leitores que votam todo o andamento fica mais legítimo porque o trabalho que fazemos é realmente dirigido aos leitores. É ótimo que eles votem e reconheçam nosso trabalho.