Mogi News: jornal publica editorial repudiando atentado sofrido na sexta-feira

Mogi News: jornal publica editorial repudiando atentado sofrido na sexta-feira

Atualizado em 16/01/2006 às 12:01, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

Mogi News : jornal publica editorial repudiando atentado sofrido na sexta-feira

No último sábado, o jornal Mogi News , da cidade de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, publicou um editorial intitulado "Sem Medo", no qual repudia o atentado sofrido pela publicação na madrugada de sexta-feira, dia 13, quando uma bomba de efeito moral, de uso exclusivo das Forças Armadas, explodiu na portaria do Mogi News.

Em entrevista ao site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o editor-chefe do jornal, Márcio Siqueira, comentou: "Há pelo menos dez anos não há registros de atentados contra órgãos de imprensa em Mogi, mas nós temos suspeitas de que o episódio pode ter sido uma tentativa de intimidação contra o Mogi News, porque ele tem sido operante em sua linha editorial na defesa dos transportes coletivos e contra a indústria da multa. Por isso a bomba pode ter sido uma forma de retaliação".

Com 30 anos de existência, o Mogi News circula de terça a domingo, na região do Alto Tietê, Mogi das Cruzes e mais 11 cidades da Região Metropolitana de São Paulo.

Leia abaixo a íntegra do editorial publicado pelo jornal em 14 de janeiro.

Sem medo

A Imprensa honesta carrega consigo, além da missão de informar, a tarefa indelegável de formar opiniões, de interagir com a sociedade, comprando suas brigas mais legítimas e prestando serviços decentes a ela.

A Imprensa honesta desvenda, desmascara, escancara, desossa, esmiúça e revela bastidores e intenções, inclusive as mais vis e interesseiras.

A Imprensa honesta resiste à tentação do dinheiro fácil oriunda da barganha por sobre a notícia e evita que a opinião pública se transforme em refém dos maus empresários, dos péssimos políticos, dos enganadores e dos canalhas.

Houve um tempo neste País em que a liberdade de Imprensa chegou a ser esmagada pelos coturnos da ditadura. Era a época do Regime Militar, e gente de bem, composta inclusive por jornalistas, era espionada, presa sem ordem judicial, torturada e até morta.

Houve um tempo neste País em que, para frustrar a marcha da liberdade, quem detinha o poder mandava forjar atentados, para imputar aos subversivos a culpa e para ter o argumento de que a democracia precisaria ser revogada, até que, em um dia distante, ela pudesse retornar.

Há o tempo atual em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê, que é marcado firmemente por algumas empresas de comunicação que fazem o jornalismo ético, vibrante, inovador e revolucionário. Uma dessas empresas é o Mogi News .

Diferentemente do que se fazia em outros tempos por aqui, agora, por exemplo, funcionários prejudicados por uma empresa que não cumpre com suas obrigações têm a possibilidade de denunciar a este jornal as injustiças sofridas. O Mogi News ouve - ou pelo menos tenta insistentemente ouvir - todos os lados da notícia.

Diversamente dos tempos do silêncio e da omissão, o que se tem em Mogi e no Alto Tietê, por meio dos setores honestos da Imprensa, são denúncias francas e abertas, que atacam desde a indústria da multa até a falta de segurança, desde o buraco da rua até a falta de ônibus, desde a ausência de médicos numa unidade básica de saúde até a queixa de um consumidor que se diz lesado por uma loja.

E é por isso que há quem se sinta ameaçado e que, muito provavelmente acuado, queira calar a boca da Imprensa ou, mais propriamente, apagar as matérias, as colunas e os editoriais escritos pelo Mogi News.

Tal intenção abjeta se perde por completo na baixeza e no crime de uma tentativa truculenta de intimidação, uma bomba de efeito moral - que deveria ser para uso exclusivo do Exército - jogada na porta do Mogi News na madrugada de ontem.

Tal ato, uma mistura de banditismo e terrorismo, não impedirá que este jornal prossiga desmascarando quem transgride as leis, quem, sentado no trono falso da impostura, sinta-se ameaçado.

O Mogi News acredita nas polícias Civil e Militar, no Ministério Público, no Judiciário e, acima de tudo, na justiça de Deus. Por isso, crê com tranqüilidade que os fatos e as responsabilidades que cercam o atentado de ontem de madrugada serão desvendados e os culpados, punidos, custe o custar, doa a quem doer.