O Caco do Jornalismo, por Carina Ohana
O Caco do Jornalismo, por Carina Ohana
Atualizado em 29/06/2006 às 11:06, por
Carina Ohana é estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.
O Caco do Jornalismo , por Carina Ohana
"O pau de arara é coisa para quem não gosta de trabalhar". Sem trava na língua e com segurança de quem sabe o que diz, Caco Barcellos criticou o jornalismo, que hoje se diz investigativo, mas que na verdade, não passa de declaratório.Em coletiva com estudantes de jornalismo, comparou a atividade do jornalista preguiçoso com o trabalho de um torturador e questionou a postura dos profissionais que fazem denúncias e não privilegiam, em sua investigação, a apuração aprofundada. "Tortura é método de quem não gosta de trabalhar. O paralelo da tortura serve para mostrar o que nós jornalistas fazemos com uma série de denúncias mal apuradas." garante.
Além da postura responsável e da apuração criteriosa, Caco destacou a importância em se respeitar a condição de desvantagem que uma denúncia traz para quem é acusado. A ele se reserva o direito de defesa e, para isso, deve ser o primeiro a ter conhecimento da acusação. Mesmo que isso leve para o cesto uma aparente boa matéria. "É purista pedir que um jornalista comprove fato por fato de um elogio feito. Mas quando o caso é o contrário, mexe com a honra do acusado, ele tem a obrigação de ser responsável." diz.
Diferente do que se faz hoje, a idéia central do jornalismo deve ser sempre a relevância do assunto. O furo para Caco Barcellos - que assim seja para todos os bons contadores de histórias - é o menos importante quando o foco é uma boa matéria.
Não é de se estranhar que as críticas ao jornalismo, em geral, tenham se tornado tão freqüentes. Já que no momento, a audiência parece ser a principal motivação dos veículos de comunicação, e os números apontados pelo Ibope o único público alvo.
O Caco da TV
Além de repórter investigativo e correspondente internacional, Caco Barcellos é autor de dois livros reportagens bastante conhecidos, Rota 66 e Abusado. Contratado da Rede Globo desde 1985, assumiu há dois meses o papel de "professor" em quadro do Fantástico. A idéia, segundo ele, é fazer um jornalismo "distante do jornalismo declaratório." e "próximo dos acontecimentos da rua".
A defesa de um jornalismo que fuja dos moldes de "entrevista" é para Caco Barcellos uma forma de evitar a predominância da cobertura declaratória. Ele criticou o conteúdo da televisão atual e a tendência de se fazer o jornalismo "de estúdio" por ser "mais barato e aparentemente mais eficaz" em termos de mercado.






