SJPMRJ - Seminário pela Democratização da Comunicação foi um sucesso
SJPMRJ - Seminário pela Democratização da Comunicação foi um sucesso
Atualizado em 20/02/2006 às 08:02, por
Por: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
SJPMRJ - Seminário pela Democratização da Comunicação foi um sucesso
A luta pela democratização da comunicação deu o primeiro passo para sua intensificação com a realização do Seminário do FNDC no auditório do Sindicato dos Jornalistas, na quinta-feira, que reuniu representantes de diversos segmentos interessados no tema. Durante aproximadamente três horas, um público de cerca de 80 pessoas, entre estudantes, jornalistas, radialistas, integrantes de ONGs, professores, políticos e profissionais de empresas de telecomunicações, telefonia, internet, cinema e televisão, debateram o tema "Da Democratização à Digitalização das Comunicações", com ênfase para a TV digital.Organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o Seminário no Rio de Janeiro foi coordenado pela jornalista Iara Cruz, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. Ela convidou Vera Lúcia Canabrava, conselheira do Conselho Federal de Psicologia, para presidir a mesa de debates, que contou ainda com Geraldo Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica; Celso Schröder, coordenador-geral do FNDC; e Gustavo Gindre, coordenador-geral do Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura (INDECS).
Através de imagens no telão e um discurso inflamado, Celso Schröder mostrou o histórico do FNDC, suas principais lutas e conquistas e o panorama atual da comunicação no Brasil, além dos quatro eixos estratégicos do Fórum: Controle público das comunicações; Capacitação dos cidadãos para o conhecimento e a ação; Reestruturação dos mercados e dos sistemas de comunicação; e Desenvolvimento da cultura nacional através da mídia. Ao final, Schröder defendeu a união dos movimentos sociais em torno da democratização da comunicação e disse que o Comitê do Rio será muito importante nessa luta. "O Seminário aqui do Rio vai alavancar o FNDC como um todo e poderemos sentir isso já no encontro de São Paulo, em 15 de março."
A união dos representantes da comunicação alternativa em todos os Estados também foi tema do discurso de Geraldo Pereira dos Santos, do STIC, que considera fundamental a reestruturação do mercado e a capacitação do cidadão. "A cultura no Brasil está sendo impedida de chegar à população por conta daqueles que se acham donos do mercado e capazes de decidir o que é bom e o que não é bom para o povo".
Para Gustavo Gindre, do INDECS, o problema da TV digital é mais complexo do que muitos imaginam, pois não se trata apenas de definir qual o modelo a ser adotado no Brasil, se o japonês, o europeu ou o norte-americano. "O Brasil tem um déficit, hoje, de oito bilhões de dólares por causa da importação de componentes eletrônicos. Nos dias atuais, um canal ocupa um espaço x, mas com a tecnologia digital, esse mesmo espaço x terá capacidade para três canais e a transmissão de dados. O que vamos fazer com o excedente que a tecnologia vai provocar?", indagou ele.
Segundo o coordenador-geral do Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura, o Rio de Janeiro possui atualmente 29 canais de TV nas mãos de grupos de empresários e o projeto do Ministério das Comunicações não deixa margem para que a sociedade possa aproveitar a tecnologia digital para democratizar o setor. "Se for aprovado o modelo do Ministério, nos próximos 10 anos os atuais concessionários de canais dirão: aqui não entra mais ninguém e ponto final."
Gindre disse ainda que, quando procurou a Anatel, escutou a frase "Para que canal se vocês não têm produção?", o que, para ele, é uma grande mentira, já que a sociedade produz inúmeros filmes e documentários de qualidade, em quantidade suficiente para ocupar toda a rede de TV. Indagado sobre a relação da TV digital com a internet, ele foi taxativo. "Haverá um casamento entre os dois e os filhos da TV digital e da internet estarão falando a linguagem dos IP".
Pelos próximos dois anos, o Fórum pretende percorrer as capitais dos estados e algumas cidades-pólo do interior do Brasil apresentando suas propostas para a democratização da comunicação. No dia 15 de março será a vez do Comitê de São Paulo realizar o evento, na sede do Conselho Regional de Psicologia (CRP-06). Em 26 de abril, o roteiro de debates continua por Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Quem desejar saber mais pode visitar o site do FNDC (www.fndc.org.br), onde se encontra o programa para a área das comunicações, formulado durante Plenária do Fórum e apresentado ao governo federal.






