Corrupilândia / Por Raffael Alberto de Souza - UFMT (MT)
Corrupilândia / Por Raffael Alberto de Souza - UFMT (MT)
Atualizado em 11/10/2005 às 12:10, por
Por: Raffael Alberto de Souza Campos e historiador formado pela Universidade Federal do Mato Grosso..
Estamos em meio a turbilhão de "estranhos" acontecimentos no cenário político. Mas nem tão estranhos assim, para nós eleitores que apenas acompanhamos o desenrolar dos fatos de longe pela mídia, sem ser consultados ou sequer ouvidos pelos (indignados?) representantes do povo do Congresso Nacional.
Tais acontecimentos são de difícil compreensão por trabalhadores, os quais nem mesmo podem desfrutar de seu irrefutável e mais que merecido descanso ao fim de exaustivo dia de labuta, porque em toda parte só se houve falar do bendito mensalão e seus protagonistas parlamentares.
Mensalão, pai honrado do mensalinho. Um nome pomposo, imponente, que poderia ser um plano de governo para ajudar às famílias pobres ou erradicar doenças, mas não: é uma nova modalidade de prostituição. Porque a corrupção é a doença, cujo controle seja talvez inexistente.
Essa doença, que assola nosso país há mais de 100 anos, para ficar somente na República, vem vitimando milhões de brasileiros de todas as regiões deste país de todos. Epidêmica, atinge essencialmente as classes econômica e politicamente mais elevadas.
A peculiaridade desse mal é não matar os que por ela são acometidos, mas os que não são, devido a seus principais sintomas serem: sonegação, superfaturamento, desvio de verbas e materiais e a síndrome da pizza. A sua capacidade de mutação é tão bem desenvolvida que consegue em horas mudar de forma, de cores e de lado.
Suas vítimas quase sempre sofrem de perda repentina de sentidos: primeiro perdem a visão e a audição, depois o tato; em seguida perdem o olfato, ficando perdidas em meio a odores fétidos; e, por último, perdem a fala, ficando completamente atônitos. Como a mutabilidade desse mal é excelente, logo vem a recuperação, tornando-se supersensitivas. Passam, então, ao segundo estágio, o mais grave de todos: a total degeneração dos valores éticos. O corrupto não se vê como enfermo, ao contrário, estaria doente caso não se contaminasse. O corrupto perde de vista a premissa pela qual foi eleito, trabalhar em prol dos interesses de seus eleitores. O problema está no jeito em que são eleitos, os bastidores das eleições, onde deixam absolutamente clara sua condição de infectados.
Depois de já estar exercendo seu mandato, o hospedeiro começa a sofrer a influência de um ambiente insalubre, propício ao desenvolvimento da doença: as câmaras, as assembléias, o senado e os palácios de governo. Esses são os lugares mais comuns, porém não os únicos. O vírus também aparece em órgãos públicos, sindicatos, partidos, empresas e onde mais haja a vontade de lucrar.
Estou sendo pessimista? Talvez. E tal enfermidade sempre sairá vitoriosa se continuarmos apenas a "ouvir falar" e assistir aos acontecimentos confortavelmente de nossas casas. Caso contrário, outro brasileiro apaixonado pelo país como eu fará de novo um pequeno texto descontente e negativo. Espero sinceramente que isso não ocorra...
Tais acontecimentos são de difícil compreensão por trabalhadores, os quais nem mesmo podem desfrutar de seu irrefutável e mais que merecido descanso ao fim de exaustivo dia de labuta, porque em toda parte só se houve falar do bendito mensalão e seus protagonistas parlamentares.
Mensalão, pai honrado do mensalinho. Um nome pomposo, imponente, que poderia ser um plano de governo para ajudar às famílias pobres ou erradicar doenças, mas não: é uma nova modalidade de prostituição. Porque a corrupção é a doença, cujo controle seja talvez inexistente.
Essa doença, que assola nosso país há mais de 100 anos, para ficar somente na República, vem vitimando milhões de brasileiros de todas as regiões deste país de todos. Epidêmica, atinge essencialmente as classes econômica e politicamente mais elevadas.
A peculiaridade desse mal é não matar os que por ela são acometidos, mas os que não são, devido a seus principais sintomas serem: sonegação, superfaturamento, desvio de verbas e materiais e a síndrome da pizza. A sua capacidade de mutação é tão bem desenvolvida que consegue em horas mudar de forma, de cores e de lado.
Suas vítimas quase sempre sofrem de perda repentina de sentidos: primeiro perdem a visão e a audição, depois o tato; em seguida perdem o olfato, ficando perdidas em meio a odores fétidos; e, por último, perdem a fala, ficando completamente atônitos. Como a mutabilidade desse mal é excelente, logo vem a recuperação, tornando-se supersensitivas. Passam, então, ao segundo estágio, o mais grave de todos: a total degeneração dos valores éticos. O corrupto não se vê como enfermo, ao contrário, estaria doente caso não se contaminasse. O corrupto perde de vista a premissa pela qual foi eleito, trabalhar em prol dos interesses de seus eleitores. O problema está no jeito em que são eleitos, os bastidores das eleições, onde deixam absolutamente clara sua condição de infectados.
Depois de já estar exercendo seu mandato, o hospedeiro começa a sofrer a influência de um ambiente insalubre, propício ao desenvolvimento da doença: as câmaras, as assembléias, o senado e os palácios de governo. Esses são os lugares mais comuns, porém não os únicos. O vírus também aparece em órgãos públicos, sindicatos, partidos, empresas e onde mais haja a vontade de lucrar.
Estou sendo pessimista? Talvez. E tal enfermidade sempre sairá vitoriosa se continuarmos apenas a "ouvir falar" e assistir aos acontecimentos confortavelmente de nossas casas. Caso contrário, outro brasileiro apaixonado pelo país como eu fará de novo um pequeno texto descontente e negativo. Espero sinceramente que isso não ocorra...






