Cozinha da mídia: por que a imprensa ignorou Severino?

Cozinha da mídia: por que a imprensa ignorou Severino?

Atualizado em 16/02/2005 às 14:02, por Pedro Venceslau.

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Nenhum colunista, repórter especial, setorista do Congresso, observador da imprensa, editorialista, ombudsman, cientista político, pai de santo ou coisa que o valha chegou a cogitar, do começo de janeiro até a madrugada de anteontem, a mais vaga hipótese de Severino Cavalcanti chegar a presidência da Câmara.
Já não se faz mais cobertura do poder como antigamente. Nos meses que antecederam o "Tsunami Cavalcanti", dez entre dez matérias versavam ou sobre uma falsa polarização entre Greenhalgh e Virgílio, ambos do PT, ou sobre um vitória sem traumas do nome apoiado pelo Planalto. Tal qual Lula, os editores de política ainda estão caçando explicações para a surpresa. Seja qual for a tese, o fato é que Severino foi solenemente ignorado pelas manchetes. Desde 1995, ano de seu primeiro mandato como deputado federal, ele se lança candidato e é tratado como um nanico pela imprensa. Por que seria diferente agora? O setoristas que cobrem o parlamento federal, que vivem de peneirar novidades entre releases e plantações, tinham a obrigação de estudar melhorar o xadrez da disputa em vez de se deixar levar pelo senso comum, ventilado pela secretária de comunicação da casa.
E por falar em assessoria de imprensa da Câmara: o clima está bem pesado entre os coleguinhas que trabalhavam para João Paulo Cunha. Segundo o Painel da Folha, o pânico tomou conta do pedaço. Se o vencedor fosse Greenhalg, a equipe seria mantida, devido a uma acordo entre petistas. Uma vez vitorioso, Severino dever mudar tudo. E com razão, já que seu nome mal aparecia nos releases...