Entrevista com Ariel Palacios, o homem do Estadão, da Globo New´s e da rádio Eldorado em Buenos Aires

Entrevista com Ariel Palacios, o homem do Estadão, da Globo New´s e da rádio Eldorado em Buenos Aires

Atualizado em 25/10/2004 às 19:10, por Pedro Venceslau e Renato Barreiros - de Buenos Aires.

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Em meados de 1995, o jornalista Ariel Palacios desembarcou em Buenos Aires para uma temporada de férias. Uma vez na Argentina, sua terra natal e onde viveu com a família até os três anos de idade, o repórter foi convencido por um amigo espanhol, correspondente do diário El País, a mudar radicalmente seu roteiro de vida: "Que tal ficar por aqui e tentar a vida como correspondente freelancer para veículos brasileiros?". Dito e feito. "Fui na cara, na coragem e com a agenda em branco. Depois de consultar a namorada, que topou, e me instalar em um pequeno apartamento da minha família, que estava vazio, comecei a ligar para jornais de São Paulo e Rio sugerindo matérias. Foi assim que começou".

E não é que deu certo. Passado nove anos, ele é o correspondente mais antigo e prestigiado do Brasil em terras portenhas. Tanto, que Ariel é considerado um guru para os colegas que chegam.

Mesmo trabalhando simultaneamente para Estadão, Globo New´s e Rádio Eldorado, Palacios ainda encontrou um tempo na agenda para conversar com IMPRENSA, em um charmoso café no bairro da Recoleta, onde vive:

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PORTAL IMPRENSA: A Argentina é uma pauta que interessa ao público brasileiro?

Ariel: Sem dúvida. Outro dia eu vi um relatório da Global New´s Report, (empresa que faz consultorias sobre a mídia em escala mundial), onde o Brasil aparece como o país que mais publica matérias sobre a Argentina. Neste levantamento, que é feito ano a ano, o Estadão aparece como o jornal impresso que dá mais espaço para a Argentina.

PORTAL IMPRENSA: A Folha de S.Paulo envia um correspondente diferente a cada 6 meses para Buenos Aires, enquanto a grande maioria dos outros veículos, entre eles o Estadão, prefere manter o mesmo jornalista por longas temporadas. Qual método é mais produtivo?

Ariel: Seis meses não é tempo suficiente para entender o país. O ideal seria 2 ou 3 anos.

O correspondente do El País (Espanha), por exemplo, está aqui há 4 anos e do Washington Post (EUA), há 5 anos. Por outro lado, ser correspondente por seis meses e se virar sozinho é um treinamento fenomenal. O correspondente que é jogado na selva volta muito bem preparado.

PORTAL IMPRENSA: Como são elaboradas as suas pautas? Todo dia tem noticia nova e quente para o Brasil?

Ariel: Diariamente tem trabalho. Na Eldorado e na Globo New´s eu entro sempre com manchete. A maioria das pautas sou eu que sugiro. Eu tenho uma rede de fontes, que neste governo deu uma encolhida, e de colegas argentinos que me ajudam. Além disso, leio todos os jornais e mantenho a TV ligada o tempo todo.