Erros ortográficos são mais das empresas que do jornalista
Erros ortográficos são mais das empresas que do jornalista
Atualizado em 27/12/2004 às 19:12, por
Fonte: Associação Brasileira de Imprensa - ABI.
A publicação de erros ortográficos e gramaticais na imprensa demonstra, mais que um falha na formação profissional do jornalista, uma debilidade das empresas quanto ao treinamento, coordenação e controle de qualidade de seu produto. Quem afirma é o jornalista Chico Amaral, diretor da empresa espanhola Cases i Associados. Segundo ele, os órgãos de comunicação deviam desenvolver meios de garantir a correção estilística e gramatical das matérias. "As redações devem ser compreendidas como áreas de formação permanente", diz. "A formação do jornalista devia ser um esforço contínuo". Para Chico, mais do que nunca, um jornal é o reflexo de sua redação. Enfatiza que o fluxo de trabalho deve ser rigorosamente desenvolvido a partir de um modelo editorial pré-determinado. Baseado especialmente na experiência de alguns jornais ingleses, ele defende a adoção de uma hierarquia de poucos níveis dentro da redação e um sistema de trabalho "semelhante a uma antiga linha de montagem industrial". A idéia, diz, é "automatizar parte do trabalho para dar mais responsabilidade e autonomia ao repórter, que passa a responder por todo o processo de produção da notícia: da investigação à edição final em página. O editor toma para si as funções de agregar valor à informação e ao processo e treinar sua equipe de acordo com as demandas do modelo editorial". Ressalvando que não se trata da volta do antigo "mesão", quando uma equipe de redatores era responsável pelo texto final da publicação, Chico defende a centralização do trabalho numa mesa composta por um editor, um diretor de arte e um editor de fotografia. "Eles coordenariam todo o trabalho da redação interagindo com os editores. Em cada caso, a composição da mesa pode ter uma configuração distinta, mas é a partir dela que se controla todo o processo. Da pauta ao fechamento, permitindo a implementação de um eficiente controle de qualidade". Amaral trabalha em jornal há mais de vinte anos. Começou como revisor em 1982 e foi diagramador durante vários anos. A partir de 1988 atuou como editor de Arte no "Jornal de Brasília". Em 1994, como diretor de Arte, integrou-se à equipe do "Correio Braziliense", tornando-se um dos líderes da renovação do jornal e o autor de seu projeto gráfico. Nesse período acumulou uma série de prêmios, sendo mais de 50 outorgados pela Society for News Design (SND) - inclusive o World Best Designed. No Brasil, ganhou o Esso de Criação Gráfica. Em 2001, trocou o posto de editor executivo do "Correio Braziliense" pelo de diretor do estúdio Cases i Associats, em Barcelona. 






