Especial: 07/04 -DIA DO JORNALISTA - Jacob Gorender
Especial: 07/04 -DIA DO JORNALISTA - Jacob Gorender
Foto: Adolfo Vargas Poeira do arquivo, poeira do mundo
O jornalismo moderno brasileiro - que começa a se consolidar a partir da II Guerra Mundial - teve como testemunha o jornalista e militante comunista Jacob Gorender. Muito mais comunista que jornalista, participou ativamente da construção das esquerdas e sobreviveu a duas ditaduras particularmente difíceis, a getulista e a dos militares. Elas não foram suficientes para apagar a chama que o move desde sua juventude na Bahia, quando descobriu que a História se escreve todos os dias. Muito mais com palavras que com armas.
1943. O mundo fervia a 100º Celsius. Em Fahrenheit, muito mais: 451º F. Getúlio Vargas, ali no Rio Grande do Norte, encontrava-se com presidente americano Roosevelt. De uma reunião, decidiam que o Brasil enviasse tropas para combater junto aos aliados. Desde 1939, a II Grande Guerra começava a rabiscar o esboço da configuração que o mundo ganharia na segunda metade do século. Perseguidos pelo Estado Novo, os comunistas brasileiros se mobilizavam. Listas do DIP incriminavam comunistas e jornalistas. Muitos precisavam se esconder.
Enquanto o mundo fervia, Jacob Gorender se escondia e espirrava incansavelmente no arquivo do diário baiano O Imparcial . Não era exatamente na poeira de jornal velho onde Gorender queria se meter. Queria se meter na poeira de um mundo em turbilhão. Comunista e jornalista, tinha razões de sobra para se aquietar como arquivista do jornal. Mas tinha ainda mais motivos - políticos, evidentemente - para enfrentar o mundo. E, como rezava a cartilha da juventude naqueles dias, mudá-lo.
Jacob Gorender - o jovem arquivista com 19 anos - tinha suas razões para tantos espirros no arquivo. A rinite alérgica era uma delas. A segunda, sua ascendência. Filhos de pai ucraniano judeu e socialista, os destinos do mundo o incomodavam. Muito mais que a rinite, como pôde-se ver.
Então estudante de Direito, já era um quadro político do Partido Comunista e defendia ardorosamente a entrada do Brasil na II Guerra para combater o nazi-fascismo. Felizmente, a redação logo descobriu no rapaz que armazenava as fotos um excelente repórter, e Jacob pôde, enfim, ir para campo. Sua "promoção" coincidiu com uma das primeiras experiências multimídia de que se tem notícia no jornalismo brasileiro - uma parceria entre a única rádio baiana da época, a Rádio Sociedade, e O Imparcial . A idéia era simples, mas muito engenhosa: ler, ao vivo na rádio, durante 15 minutos, as principais notícias do dia.
O jornalismo era, portanto, além do ganha-pão, uma forma eficiente de luta. "Eu me tornei repórter por vocação. Como eu já era membro do Partido Comunista é evidente que as diretrizes do partido influenciavam minhas matérias".
Nos quatro meses em que permaneceu na Itália o soldado Jacob era o homem das comunicações da tropa. Fazia parte da rotina, além das batalhas propriamente ditas, como os ataques a Monte Castelo, no outono de 1944, acordar no meio da madrugada e enfrentar tempestades de neve para reatar fio cortados. "Várias vezes estive na terra de ninguém", conta.
Leia matéria completa na edição 211 (abril) de IMPRENSA






