Especialistas aprovam ação da Globo no caso do assessor Marco Aurélio Garcia
Especialistas aprovam ação da Globo no caso do assessor Marco Aurélio Garcia
Se Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula, vivesse à época do líder revolucionário francês Robespierre, provavelmente ele daria mais importância às janelas de vidro e cortinas abertas no Palácio do Planalto. Pelo menos é isso o que pensam especialistas em ética na mídia entrevistados pelo Portal IMPRENSA sobre os últimos fatos envolvendo Garcia. O assessor foi flagrado, na noite da última quinta-feira (19/07), fazendo gestos obscenos após assistir à reportagem da TV Globo sobre o defeito técnico no avião da TAM.
Inflamado pelos ideais da Revolução Francesa de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", Robespierre pregava a total transparência na política, chegando a sugerir que mesmo as casas dos deputados do país - e não só os prédios públicos- fossem feitas com paredes de vidro.
O arquiteto Oscar Niemayer, ao projetar o edifício do Palácio do Planalto, também inspirou-se no ideal revolucionário francês e, por isso mesmo, desenhou janelas amplas para facilitar o olhar do cidadão sobre a movimentação daqueles que os representam.
Tendo em vista tais pressupostos, os especialistas em ética na imprensa Roberto Romano e Adriana Paone aprovaram a decisão da TV Globo de captar, clandestinamente, as imagens de Marco Aurélio Garcia, mesmo que a atitude, de alguma forma, pudesse ferir o Artigo 5º da Constituição Federal, que diz respeito à vida privada, à honra e à imagem das pessoas.
As cenas em questão foram feitas enquanto Garcia estava em sua sala, no terceiro andar do Palácio do Planalto, assistindo ao noticiário do "Jornal Nacional" com a cortina aberta. O câmera de TV que gravou a imagem estava no térreo do Palácio, do lado de fora. As imagens foram exibidas no "Jornal da Globo" do mesmo dia e amplamente divulgadas e comentadas na Internet, durante a última sexta-feira (20/07).
Para a professora de Ética e Legislação da Comunicação da Uni- FIAM/FAAM, Adriana Paone, a atitude da TV Globo foi correta, porque o interesse público prevalece sobre privacidade do político. "Há uma cisão grande nesta situação. Por um lado houve a gravação de imagens não autorizadas e por outro a divulgação de informações de interesse público. Então, o que deve prevalecer? Eu acredito que o interesse público tem maior peso no momento", disse.
O professor titular de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, vai além em sua análise. Para ele, a imprensa tem sim, o direito de fazer imagens ou fotos, mesmo que clandestinamente. "O Palácio do Planalto é o lugar mais público do Brasil, ele é o ápice da vida pública. O assessor Marco Aurélio Garcia também é uma pessoa pública e não poderia ignorar onde estava. Mesmo que ele estivesse em outro lugar, em sua casa, por exemplo, ele não poderia nunca tirar essa roupagem. Por isso, a imprensa tinha o direito de fazer as imagens", defendeu ele.
Na mesma reportagem em que foram divulgadas as imagens de Garcia fazendo os gestos obscenos, o "Jornal da Globo" exibiu uma entrevista na qual o assessor comenta o ocorrido. "Essas imagens, tomadas de forma clandestina e a revelia, de qualquer maneira os jornalistas têm direito de tomá-las, refletem minha indignação", disse o assessor.
O gesto de Garcia gerou repercussão no Planalto e vários políticos se mostraram contrários à permanência do assessor no cargo. Na tarde da sexta-feira, Marco Aurélio Garcia se desculpou publicamente.






