Fotógrafo do jornal O Tempo Betim é preso durante apuração de denúncia

Fotógrafo do jornal O Tempo Betim é preso durante apuração de denúncia

Atualizado em 15/04/2009 às 17:04, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Fotógrafo do jornal O Tempo Betim é preso durante apuração de denúncia

Por

Divulgação
Nelson Batista
O repórter fotográfico Nelson Batista, do jornal O Tempo Betim , foi preso na manhã desta quarta-feira (15), durante investigação de denúncia de irregularidades no Posto-Médico-Legal da cidade mineira de Betim.

Batista e o também repórter fotográfico João Lêus foram até o IML na intenção de apurar a denúncia de que corpos em estado de decomposição estavam fora do local de armazenamento adequado, pois as geladeiras do posto não funcionavam.

Enquanto Lêus esperava do lado de fora do Instituto, Batista registrou o flagrante sem que nenhum funcionário impedisse sua entrada nas dependências do IML. Depois, pessoas tentaram impedir sua saída e disseram que chamariam a polícia. O fotógrafo, por livre e espontânea vontade, decidiu esperar pela chegada das autoridades, mas entregou o cartão de memória de sua máquina ao motorista que acompanhava a equipe para que as fotos fossem levadas à redação.

Batista relatou que o delegado Uéderson Vilela sugeriu que ele entregasse o arquivo das fotos em troca da liberação do flagrante de invasão ao IML. O fotógrafo não aceitou o acordo e então teve sua prisão decretada. Além disso, as máquinas dos dois repórteres foram apreendidas para perícia e só liberadas horas depois.

A denúncia

As fotos publicadas pelo site do diário mostram sete corpos em estado avançado de decomposição no local. De acordo com a reportagem, além das geladeiras estarem quebradas, o Instituto não tem capacidade para atender à demanda.

Nelson Batista
Flagrante dos fotógrafos no IML de Betim (MG)

A assessoria da Polícia Civil rebate as informações do jornal alegando que existem apenas cinco corpos no IML de Betim, número correspondente ao de gavetas refrigeradas. No entanto, a assessoria não esclareceu a razão do mau cheiro nas dependências do prédio.

"O fedor era insuportável. Os funcionários trabalham com panos cobrindo o nariz e a boca", relatou o fotógrafo ao Portal IMPRENSA. "Só quem viu o que eu vi tem ideia do absurdo que é aquele IML. Vou ser indiciado por invasão de domicílio, mas será que isso é pior que tratar pessoas como lixo?", questionou.

Protesto

Em protesto ao episódio, a direção do diário enviou comunicado à ANJ (Associação Nacional de Jornais) pedindo apoio contra "arbitrariedades que visaram impedir a apuração de fatos de interesse público". O texto ressalta, ainda, que a prisão de Batista e confisco do equipamento dos repórteres fotográficos é "injustificável".

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