Fotógrafo Marcos Caíres inunda a lente de sua câmera pela preservação das águas
Fotógrafo Marcos Caíres inunda a lente de sua câmera pela preservação das águas
Inundar a cidade de São Paulo e seguir com o dilúvio por outras localidades do país. Este é o desejo do fotógrafo Marcos Caíres, criador do projeto "Cidade Submersa" que deixou as ruas da capital paulista debaixo d água.
| Marcos Caíres |
A idéia nasceu quando Caíres passou dois meses junto a pescadores da cidade de Itanhaém, localizada no litoral sul da costa paulista. Nesse tempo, dos fatos que o fotógrafo testemunhou, a falta de comprometimento dos banhistas com o meio ambiente foi o que mais lhe chamou a atenção. "Notei desrespeito a natureza por parte dos banhistas que jogam lixo na areia, nas águas sem nenhum peso na consciência".
A partir de sua observação, o fotógrafo pesquisou, com auxílio da internet, sobre a preservação das reservas hídricas e constatou que era preciso tomar alguma atitude em relação ao processo de degradação. "Vi que se não tomarmos uma atitude, logo o planeta vai ficar sem seu bem mais valioso: a água. E é isso que quero mostrar as pessoas com fotografias de enquadramento simples do cotidiano, mas com um toque artístico".
| Marcos Caíres |
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O toque artístico mencionado pelo fotógrafo é resultado de um aparelho criado por ele que simula a submersão das imagens. O mecanismo expele bolhas dentro de um quadrado de acrílico posicionado em frente à lente da câmera da máquina fotográfica. Leds (Diodo Emissor de Luz) posicionados nas laterais do dispositivo colorem as bolhas que são produzidas por um motor similar aos utilizados em aquários. O resultado é a mistura de imagens e a impressão de se estar embaixo d água, observando o borbulhar que surge da parte de baixo do plano enquadrado.
| Marcos Caíres |
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O ineditismo da iniciativa de Marcos Caíres faz com que o fotógrafo tenha cautela ao revelar detalhes sobre o aparelho. "Gente até de Portugal veio me procurar querendo saber como funciona, pediram que eu mandasse um [mecanismo] igual. Por isso eu não gosto de falar muito sobre a máquina", revela.
| Marcos Caíres |
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O realismo da intervenção promovida pelo aparelho é tamanha que, em algumas pessoas, chega a causar sensações claustrofóbicas. Quando questionado sobre as alterações feitas na imagem, Marcos lembra que o trabalho não é apenas uma fotografia, mas uma expressão artística. "Meu trabalho não tem nenhuma manipulação de imagens; é todo artesanal (...) considero a fotografia, além de tudo, uma expressão de arte".






