Ilustrador Daniel Caballero diz que cliente está preocupado com habilidade do artista em se comunicar

Ilustrador Daniel Caballero diz que cliente está preocupado com habilidade do artista em se comunicar

Atualizado em 19/06/2009 às 17:06, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Mais do que ilustrador, cartunista ou chargista, Daniel Caballero pode ser considerado um artista visual. Autodidata, ele começou a sua carreira aos 15 anos, como office boy em um escritório de design. Virou assistente de past up [técnica de montagem de páginas] poucos dias antes da chegada de um computador Mackintosh no escritório em que trabalhava.

Daniel Caballero

"O tipo de trabalho que eu fazia desapareceu; na hora saquei que um dia iria trabalhar com o computador", diz. Com trabalhos para agências como Africa, DPZ, Lew,Lara, Neogama, DM9, Young & Rubican, Talent, Ogilvy e F/Nazca, Caballero se associou ao Estúdio 6B por nove anos e participou do Estúdio Onze antes de montar o seu próprio escritório.

Um desses trabalhos, realizado para a agência Lew,Lara para a importadora de vinhos Delacroix, foi premiado com Leão de Bronze no Festival de Publicidade de Cannes na categoria outdoor, em 2008. No entanto, para o artista, o que o motiva não são os prêmios, "e sim um trabalho bem pensado".

Daniel Caballero

Entre outras campanhas que marcaram a carreira de Caballero, está uma feita há alguns anos para o Greenpeace. "Apesar da campanha do Greempeace não ter tido muita veiculação, teve uma repercusão boa, as imagens ficaram na memória de muita gente, até hoje me falam sobre ela".

Sobre as diferenças entre o trabalho comercial e autoral, Caballero diz que parte do princípio que trabalhar com um cliente não tem limites; é necessário se adaptar à necessidade do cliente, "colocando na arte apenas a minha habilidade de comunicar, e não a minha personalidade".

Daniel Caballero

"Mas tenho meu trabalho de quadrinhos, que é totalmente autoral, e minha produção como artista plástico. O senso comum pressupõe algumas superstições românticas à figura do artista. Gosto de pensar no Harvey Peckar, aquele roteirista de quadrinhos do filme 'American Splendor' ('O anti-herói americano'), que trabalha como bibliotecário e faz roteiros incriveis", comenta. "A diferença dele comigo é que eu tenho a vantagem de usar quase os mesmos equipamentos como artista plastico, designer e ilustrador. Além disso, seria um péssimo bibliotecário", conclui.