Jornalismo Internacional em debate - Por Carolina Montenegro, da Casper Líbero
Jornalismo Internacional em debate - Por Carolina Montenegro, da Casper Líbero
Atualizado em 20/10/2005 às 16:10, por
Carolina Montenegro e estudante da Casper Líbero.
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Com número enxuto de correspondentes e jornalistas, a cobertura Internacional da grande mídia brasileira enfrenta o desafio de equacionar qualidade e baixo custo
A crise da dívida externa, no início dos anos 1980, levou os grandes veículos de comunicação do país a reduzirem custos e enxugaram orçamentos. O aperto do cinto começou pela editoria de Internacional, que mantinha grande número de correspondentes no exterior gastando em dólar mais do que os bolsos minguados pela inflação podiam pagar.
A quantidade de repórteres no exterior diminuiu muito e os jornalistas das redações de Internacional passaram a responder por número cada vez maior de matérias. Hoje, jornais como a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo mantêm, em média, equipe fixa de sete pessoas e quatro correspondentes em locais como Londres, Washington, Nova York, Paris e Buenos Aires.
"Há cerca de 25 anos, o Estado de S. Paulo - que duas décadas antes chegara a manter uma sucursal em Paris - possuía dez correspondentes permanentes. A Folha de S. Paulo possuía sete", afirma João Batista Natali, repórter especial, há 35 anos na Folha de S. Paulo, em seu livro Jornalismo Internacional.
Em conseqüência do regime forçado, o uso das agências internacionais de notícias cresceu enquanto a cobertura se restringiu. Dai partem discussões recorrentes nos veículos de comunicação do país hoje, como a questão dos repórteres enviados terem cada vez menos tempo para cobrir os eventos.
Repórteres brasileiros que foram cobrir a crise do Haiti, por exemplo, chegaram a passar apenas quinze horas no país. "No Iraque não tínhamos como concorrer com a cobertura factual do New York Times e decidimos nos centrar na vida da população local, como ela tinha sido afetada pela guerra, como é viver com toque de recolher", diz Lameirinhas acrescentando que o enfoque não agradou a todos os leitores.
Outro ponto polêmico é a presença da América Latina no noticiário brasileiro.
Atualmente os grandes veículos do país não possuem correspondentes em países da região, como Venezuela e Colômbia. Por questões de custos são priorizados temas em evidência nas mídias norte-americana e européia.
"O jornalismo internacional no Brasil é dependente da capa do New York Times", criticou o repórter da editorial Mundo do jornal Folha de São Paulo, Fabiano Maisonnave, durante palestra do IV Curso sobre Jornalismo em situações de Conflito Armado, oferecido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Oboré, em São Paulo entre os dias 08 e 22 de outubro.
Maisonnave citou a importância da Colômbia para o Brasil como exemplo. "É de lá que vem 90% da cocaína que chega ao Brasil, a Colômbia tem 1.500 km de fronteira com o Brasil e tem mais habitantes que a Argentina", destacou.
E se o espaço das matérias de temas sul-americanos já vinha se reduzindo pela crise econômica, ficou ainda mais exíguo depois do 11 de setembro. Segundo Roberto Lameirinhas, editor assistente de Internacional do Estadão, o centro geopolítico dos acontecimentos mudou e as pessoas passaram a se interessar pelo Afeganistão.
"Não adianta brigar com a notícia, uma declaração do Bush tem peso maior que uma do Chávez, influencia mais a nossa vida", afirma em mesmo tom William Waack, apresentador do Jornal da Globo, correspondente internacional por 21 anos.
A má-fase de cobertura dos países vizinhos, porém, pode estar em declínio. A Folha tem projetos em curso para ampliar a presença na região e o Estadão acredita que a tendência é de recuperação de espaço. "O Iraque não vai sair da pauta, mas a região tende a recuperar importância gradualmente com o surgimento de personagens interessantes como o Chávez", diz Lameirinhas.

Com número enxuto de correspondentes e jornalistas, a cobertura Internacional da grande mídia brasileira enfrenta o desafio de equacionar qualidade e baixo custo
A crise da dívida externa, no início dos anos 1980, levou os grandes veículos de comunicação do país a reduzirem custos e enxugaram orçamentos. O aperto do cinto começou pela editoria de Internacional, que mantinha grande número de correspondentes no exterior gastando em dólar mais do que os bolsos minguados pela inflação podiam pagar.
A quantidade de repórteres no exterior diminuiu muito e os jornalistas das redações de Internacional passaram a responder por número cada vez maior de matérias. Hoje, jornais como a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo mantêm, em média, equipe fixa de sete pessoas e quatro correspondentes em locais como Londres, Washington, Nova York, Paris e Buenos Aires.
"Há cerca de 25 anos, o Estado de S. Paulo - que duas décadas antes chegara a manter uma sucursal em Paris - possuía dez correspondentes permanentes. A Folha de S. Paulo possuía sete", afirma João Batista Natali, repórter especial, há 35 anos na Folha de S. Paulo, em seu livro Jornalismo Internacional.
Em conseqüência do regime forçado, o uso das agências internacionais de notícias cresceu enquanto a cobertura se restringiu. Dai partem discussões recorrentes nos veículos de comunicação do país hoje, como a questão dos repórteres enviados terem cada vez menos tempo para cobrir os eventos.
Repórteres brasileiros que foram cobrir a crise do Haiti, por exemplo, chegaram a passar apenas quinze horas no país. "No Iraque não tínhamos como concorrer com a cobertura factual do New York Times e decidimos nos centrar na vida da população local, como ela tinha sido afetada pela guerra, como é viver com toque de recolher", diz Lameirinhas acrescentando que o enfoque não agradou a todos os leitores.
Outro ponto polêmico é a presença da América Latina no noticiário brasileiro.
Atualmente os grandes veículos do país não possuem correspondentes em países da região, como Venezuela e Colômbia. Por questões de custos são priorizados temas em evidência nas mídias norte-americana e européia.
"O jornalismo internacional no Brasil é dependente da capa do New York Times", criticou o repórter da editorial Mundo do jornal Folha de São Paulo, Fabiano Maisonnave, durante palestra do IV Curso sobre Jornalismo em situações de Conflito Armado, oferecido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Oboré, em São Paulo entre os dias 08 e 22 de outubro.
Maisonnave citou a importância da Colômbia para o Brasil como exemplo. "É de lá que vem 90% da cocaína que chega ao Brasil, a Colômbia tem 1.500 km de fronteira com o Brasil e tem mais habitantes que a Argentina", destacou.
E se o espaço das matérias de temas sul-americanos já vinha se reduzindo pela crise econômica, ficou ainda mais exíguo depois do 11 de setembro. Segundo Roberto Lameirinhas, editor assistente de Internacional do Estadão, o centro geopolítico dos acontecimentos mudou e as pessoas passaram a se interessar pelo Afeganistão.
"Não adianta brigar com a notícia, uma declaração do Bush tem peso maior que uma do Chávez, influencia mais a nossa vida", afirma em mesmo tom William Waack, apresentador do Jornal da Globo, correspondente internacional por 21 anos.
A má-fase de cobertura dos países vizinhos, porém, pode estar em declínio. A Folha tem projetos em curso para ampliar a presença na região e o Estadão acredita que a tendência é de recuperação de espaço. "O Iraque não vai sair da pauta, mas a região tende a recuperar importância gradualmente com o surgimento de personagens interessantes como o Chávez", diz Lameirinhas.






