Jornalista russo diz que foi demitido ao questionar informações sobre sequestro de navio

Jornalista russo diz que foi demitido ao questionar informações sobre sequestro de navio

Atualizado em 04/09/2009 às 15:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Um jornalista russo declarou que foi demitido após contradizer autoridades ao sugerir que o navio Arctic Sea, sequestrado há duas semanas, carregava outros produtos além de madeira.

Mikhail Voitenko disse em entrevistas que pegou o primeiro voo para Istambul, Turquia, essa semana para escapar de possíveis ações legais ou outro tipo de represálias em razão de seus comentários a respeito do sequestro do navio.

Nesta sexta-feira (4), ele contou à emissora norte-americana CNN que se mudou da Turquia para a capital tailandesa Bangkok.

Voitenko, que foi editor do informatico online Maritimie Bulletin-Sovfrakht, duvidou da versão da própria empresa sobre o ocorrido. A Sovfrakht é um grupo de empresas de transporte que atua, principalmente, no território russo.

Quetionado se Voitenko foi forçado a se demitir em razão de intimidações, a companhia respondeu, por meio de comunicado, que toda a situação é muito confusa. Por essa razão, não podem confirmar nem negar essas acusações.

O diretor geral da Sovfrakht´s, Dmitry Purim, disse em uma coletiva de imprensa que o jornalista lhe disse, por telefone, que estava renunciando ao cargo. Na ocasião, segundo a empresa, Voitenko estava na Turquia em viagem de negócios.

O jornalista indicou à CNN, na última quinta-feira (3), que duvidava que sequestradores tomariam um navio carregando, segundo a empresa, seis toneladas e meia de madeira que ia da Finlândia para a Argélia.

"Meu palpite é que - e eu não tenho outra ideia sobre - aquele navio foi sequestrado por estar carregando algo que não sabemos o que pode ser. Mas eu não acho que a carga tinha algo de ilícito. Acredito que seja ainda mais importante e perigoso", disse.

Voitenko disse em uma entrevista à imprensa local que o "carregamento secreto" seria de armas e ele não era o único a considerar essa possibilidade. A colunista Yulia Latynina especulou que um carregamento ilegal de armas seria despachado na Argélia e encaminhado a países como Irã ou Síria.

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