Jornalistas debatem a ausência de pautas fundamentais ao interesse público

Jornalistas debatem a ausência de pautas fundamentais ao interesse público

Atualizado em 01/10/2007 às 16:10, por Nathália Duarte/ Redação Portal IMPRENSA e  do Rio de Janeiro.

Por

No último painel do seminário que trouxe a tona questões fundamentais para o desenvolvimento de um jornalismo de qualidade, nada mais pertinente do que desafiar temas como Responsabilidade Social, Cultura e Esporte na jornada por um conteúdo mais atrativo, interessante e, principalmente, mais constante nos noticiários diários.

Mediado por Mário Magalhães, ombudsman do jornal Folha de S.Paulo , o painel "A agenda cotidiana em grandes pautas" define conflitos diários por que passam os jornalistas de grandes veículos do país na hora de defender pautas importantes, mas que, segundo Amelia Gonzáles, da revista Razão Social , do jornal O Globo , não ganham o destaque necessário e suficiente diante do alcance das questões que abordam.

Ao contar sua trajetória à frente da revista Razão Social , um dos poucos espaços da grande imprensa dedicados a pautas de Responsabilidade Social, Amelia conta que é realmente difícil incluir pautas da revista no cotidiano dos jornais porque, para isso, seria necessária a saída de repórteres das redações e isso exige verbas. Mas a jornalista afirma: "Fico muito feliz em ser chamada para falar em um seminário sobre o jornalismo do futuro porque eu realmente acredito que esse seja o futuro, sair do jornalismo preto e branco e partir para a ação".

Para falar sobre os desafios de pautas culturais no atual cenário jornalístico, Zuenir Ventura, do jornal O Globo , destaca a dependência que se estabelece com grandes eventos culturais e explica que "hoje, um acontecimento facilmente se transforma em evento e um evento se torna uma notícia que se impõe ao noticiário", e completa: Pode até parecer manipulação, mas é muito difícil fugir disso porque a internet propicia essa segmentação de informações". E sobre o que espera do futuro, Ventura revela: "Vejo uma taxa de inesperado. Acredito que tudo pode acontecer, mas tenho um perfil muito otimista então acho que o melhor vai acontecer".

Como não poderia faltar, a paixão nacional também foi foco de debate no último painel do dia. Representado no seminário pelo jornalista da Rede Record, Mauro Tagliaferri, o esporte é uma das editorias mais expostas às armadilhas dos polêmicos eventos, de que lembrou Ventura anteriormente. Uma pauta de que qualquer brasileiro julga entender, o esporte sofre com a falta de matérias que fujam ao comodismo e, se por um lado o esporte dá oportunidade a novas mídias, por outro não disponibiliza filtros para que se distinga o sério jornalismo de uma simples emissão de opinião. "É preciso ir além do que mostramos. Existe um Brasil que não foi bem descoberto por nós, da imprensa. Um Brasil que ainda não apareceu na mídia, mas um Brasil que com certeza organiza seus campeonatos, pratica seus esportes e que precisa de espaço", completa.

O seminário "O Jornalismo do futuro e o futuro do jornalismo" acontece na cidade do Rio de Janeiro (RJ), nas dependências do Hotel Glória. Para acompanhar a transmissão das palestras e debates, ao vivo, .