Justiça Federal indicia Protógenes Queiroz por vazamento de informações na Satiagraha

Justiça Federal indicia Protógenes Queiroz por vazamento de informações na Satiagraha

Atualizado em 26/05/2009 às 08:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Agência Brasil
Protógenes Queiroz
A Justiça Federal decidiu instaurar processo penal contra o delegado Protógenes Queiroz, hoje afastado da Polícia Federal (PF), por vazamento de informações à imprensa e fraude em filmagens na Operação Satiagraha. A ação foi impetrada na última segunda-feira (25) pelo juiz da 7ª Vara Federal de São Paulo, Ali Mazloum, que acolheu denúncia da Procuradoria Geral da República.

Protógenes será julgado por vazamento de informações sigilosas à imprensa durante a Satiagraha, que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Na ação, a Justiça Federal investigará denúncias de favorecimento do delegado a jornalistas e veículos de comunicação em meio ao trabalho da Polícia.

Segundo Mazloum, foram realizados centenas telefonemas de Protógenes a jornalistas durante a Operação. Destes, mais de cem teriam sido feito a um único profissional, a repórter da Folha de S.Paulo , Andréa Michel. O juiz também cita nos autos nomes de outros profissionais de imprensa, como o do apresentador do "Domingo Espetacular", da Rede Record, Paulo Henrique Amorim.

Em resposta à citação nos autos, o jornalista Paulo Henrique Amorim publicou nesta terça-feira (26) em seu blog,- Conversa Afiada -, nota confirmando as ligações ao então delegado da PF. Porém, segundo o apresentador da Record, os telefonemas seriam de natureza profissional e não destinadas apenas a Protógenes, mas também a fontes da imprensa e do Poder Judiciário

A estreita ligação entre o então delegado da PF e jornalistas é um dos indícios da investigação da Justiça Federal. Protógenes é suspeito de ter convidado produtores da Rede Globo para filmar secretamente um encontro entre o banqueiro Daniel Dantas e um agente da PF. Repórteres também tiveram a oportunidade de acompanhar, na íntegra, a prisão dos envolvidos na Satiagraha, entre eles Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Segundo a ação do Ministério Público, ao confiar em jornalistas que não priorizam o compromisso de sigilo de fonte, Protógenes teria posto em risco a Operação Satiagraha. A pena estipulada a esta irregularidade varia de seis meses a dois anos de prisão ou multa.

Além do processo por vazamento de informações sigilosas, o ex-delegado da Polícia Federal também será réu por fraude processual. Segundo Mazloum, Protógenes teria editado filmagem anexada à Operação para ocultar a participação de jornalistas. A pena pode variar de seis meses a quatro anos de prisão.

A partir da data da intimação judicial, Protógenes terá dez dias para apresentar resposta junto às autoridades públicas. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo , o ex-delegado da PF refutou as denúncias e as classificou como "falácia" e "ilação".

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