"Não há sinais de pânico no México em relação ao surto de gripe suína", diz Heloísa Villela, da Record
"Não há sinais de pânico no México em relação ao surto de gripe suína", diz Heloísa Villela, da Record
Desde a semana passada, a gripe suína entrou para o vocabulário de jornalistas, leitores e telespectadores em todo o mundo. Embora tenha havido, até o momento, apenas uma morte relacionada à doença nos Estados Unidos e sete do México, a Cidade do México, primeiro foco da enfermidade, tem recebido atenção contundente da mídia mundial.
Com a confirmação de casos em 13 países até então, e depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que o nível de pandemia mundial para o surto de gripe suína atingiu o grau 5, em uma escala de 1 a 6, a cobertura da imprensa e a movimentação dos setores de saúde em diversos países tornou-se ainda mais enfática.
No Brasil, por exemplo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, concedeu entrevista coletiva, na última quarta-feira (29), na qual afirmou que o Brasil vem tomando todas as medidas recomendadas pelos órgãos internacionais e que o país está preparado para combater casos da doença.
| Divulgação/TV Record |
| Heloísa Villela |
Portal IMPRENSA - No Brasil, a percepção que temos, em relação à repercussão dos casos de gripe suína, é que há uma espécie de sentimento de pânico nas pessoas. Qual a sua percepção?
Heloísa Villela - Pelo que vi e ouvi aqui na Cidade do México, foco da epidemia no país, não existe pânico. Aliás, uma palavra que não usei nenhuma vez nas reportagens ou transmissões ao vivo que fiz, desde segunda-feira (27). O que me parece é que existe um certo receio e uma reação razoavelmente organizada da população, para seguir a recomendação do governo de usar máscaras, lavar as mãos frequentemente e não apertar a mão de ninguém. Isso tem sido levado bastante a sério aqui na capital. Mas o pânico não se justifica. Ao menos por enquanto já que, ao que tudo indica, o vírus não é muito violento. O número de mortes, confirmadas, nos Estados Unidos, até agora, é de apenas 1 e no México, 7. Portanto, os remédios são eficazes e o importante é diagnosticar a doença cedo: febre alta, dor de cabeça forte, dor nos ossos e sintoma geral de gripe.
IMPRENSA - Quais os cuidados que vêm sendo tomados por você, especificamente?
Heloísa - Sempre que converso com alguém, na rua ou em lugar fechado, uso a máscara para me proteger. E levo um gel desinfetante, que tem álcool na fórmula, comigo. Entro no carro e passo o gel nas mãos. Até agora, tive apenas um pouco de dor de cabeça. Mas isso fica por conta da correria...
IMPRENSA - Por que, na sua opinião, mesmo havendo infinitamente menos casos do que houve quando aconteceu o surto de gripe aviária, a gripe suína tem preocupado tanto a população brasileira?
Heloísa - Não entendo essa preocupação. E na verdade, não sei nem mesmo se ela existe, assim, no Brasil. Vejo, isso sim, algumas manchetes escandalosas em alguns jornais, como um diário, se não me engano carioca, que afirmou, na capa, que o Brasil não está preparado para enfrentar essa epidemia. E olha que a epidemia ainda nem chegou ao Brasil... Ainda não existe nenhum caso confirmado. Portanto, não sei se o que está estampado nos jornais traduz o sentimento da população. Talvez uma pesquisa de opinião possa deixar isso mais claro.
IMPRENSA - Como tem sido a cobertura da imprensa no México em relação à doença?
Heloísa - Aqui, só se fala nisso. Na televisão, nas rádios e nos jornais. É intenso. Mas existe uma grande preocupação em ouvir especialistas, repetir quais são os cuidados que se deve ter, cobrar do governo quando há problemas no atendimento das clínicas e hospitais. Como existe um número grande de pessoas hospitalizadas, a imprensa mexicana, e mundial, acompanha de perto cada medida do governo e cada resultado dos testes que estão sendo feitos com as amostras colhidas. O que o governo se recusa a fazer, até o momento, é divulgar os nomes dos pacientes que foram confirmados como casos de gripe suína e dos que morreram. A justificativa é de que as famílias podem sofrer algum tipo de preconceito.
IMPRENSA - Aos jornalistas estrangeiros, há alguma orientação específica de cuidados?
Heloísa - Não. A campanha é uma só para todos. E os cuidados, na verdade, são os mesmos. Os procedimentos para evitar o contágio não mudam. A única coisa que eu estranhei foi a falta de algum tipo de informação no aeroporto. Quando desembarquei, não havia distribuição de panfletos nem de máscaras, como estava esperando.
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