Retratos (mal) falados/Por Cássia Valadão - estudande jornalismo - Rio de Janeiro
Retratos (mal) falados/Por Cássia Valadão - estudande jornalismo - Rio de Janeiro
O título do artigo, uma autoria de Millôr Fernandes, não poderia ser ligado a momento mais apropriado. A atual crise do governo tem inspirado bastante gente. Entretanto, alguns lamentam, outros riem.
Está se comentando muito a respeito das críticas feitas por FHC ao desempenho de Lula à frente do Palácio do Planalto, mas quem deve estar se contorcendo em risadas é Fernando Collor. Primeiro, Renan Calheiros, cujo nome está associado até hoje ao que se dizia "caçador de marajás", chega à presidência do Senado. Depois, o fiel escudeiro, o deputado Roberto Jefferson, faz denúncias de corrupção que, uma vez mais, estremecem a imagem da equipe do presidente.
E por falar nele, e o Lula lá?Bom, ele, quase sem pragmatismo, parece ter resolvido se associar ao velho fisiologismo. Disse que esperaria pela decisão do técnico Parreira. Já este, certamente, lhe diria: "Pedala Lulinha,pedala!"E aí, deu no que deu. Será que se arrependeu de ter um dia chamado os ocupantes do Congresso de picaretas? Talvez, já tenha até se esquecido disso. O que sei, é que ele disse estar desanimado para disputar a reeleição e só pensar em não permitir manchas em sua biografia.
Quem também deve estar pensando em recorrer ao passado é o ex-ministro, deputado Zé Dirceu. A fim de resgatar sua representação de autoridade e respeito, pode apelar para sua trajetória quando estudante. Afinal, não custa nada lembrar sua participação na "batalha da rua Maria Augusta", nos congressos da UNE, à frente da direção do PT, atraindo muitos militantes. No entanto, não imaginara, Dirceu, que lhe estava destinado um futuro tão conturbado. Nem mesmo a comparação com o intelectual Golbery de Couto e Silva, que ocupara a mesma pasta, durante o governo Geisel, tem lhe rendido bons frutos. Ambos tinham, em seus respectivos momentos, influência forte e determinante, mas se acabaram se tornando demissionários.
E quanto a José Genoíno? Não lhe bastou como lição de vida sair da Guerrilha do Araguaia como um dos poucos sobreviventes? Ele está ficando mal na fita. Ah,está mesmo. O presidente do PT e seus companheiros nadaram tanto e, agora, parecem querer morrer na praia.
Pode ser que eu até esteja me precipitando com esta declaração, mas é bem verdade que o PT não é mais o partido de antes. Sua bandeira maior, a da ética, está a meio mastro. Além disso, como o próprio presidente Lula disse, o PT parece não ter entendido o tamanho da crise.
Será que Lula entendeu? Quem sabe, ele devesse fazer como o "pai dos pobres", em 1953, e anunciar uma reforma ministerial, para reaproximá-lo de seus eleitores. Dono de um carisma excepcional e dotado, ainda, da confiança da maioria, Lula deveria fazer jus ao capital de esperança depositado em sua administração.
No entanto, o presidente está se afastando cada vez mais. Ao contrário de Getúlio Vargas que escreveu, em sua carta-testamento, ter saído da vida para entrar na história, segundo o inquieto Fernando Gabeira, Lula assumiu um lado que não lhe corresponde. Para ele, Lula está saindo da história para entrar no marketing.
De acordo com o dito popular, depois da tempestade vem a bonança. Resta-nos esperar pra ver quem vai rir por último.






