RSF critica declarações de Ministro venezuelano a respeito do ataque à emissora de TV

RSF critica declarações de Ministro venezuelano a respeito do ataque à emissora de TV

Atualizado em 25/09/2008 às 13:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta quinta-feira (25), a organização Repórteres Sem Fronteira divulgou nota à imprensa criticando as declarações do ministro de Interior e Justiça da Venezuela, Tarek El Aissami, a respeito do ataque à sede do canal de televisão privado Globovisión, na última segunda-feira (22). A entidade disse que "desgraçadamente", a posição das autoridades venezuelanas incitam a violência ao invés de coibi-la.

Militantes pró-governo reivindicaram publicamente o ataque com bombas lacrimogêneas à sede da emissora e distribuíram panfletos declarando que o canal é "alvo de guerra" e ameaçaram seu diretor, Alberto Federico Ravell. Sobre o caso, apesar de garantir que o ocorrido será devidamente investigado, Aissami acusou o canal de ser "golpista".

Na nota, a RSF diz que a guerra midiática na Venezuela está ganhando mais intensidade com a proximidade das eleições regionais e municipais, que acontecerão em 23 de novembro. Segundo o comunicado, mais ataques deste tipo podem acontecer inclusive contra jornalistas do setor público, ou considerados próximos ao governo.

Para a organização, as declarações de Tarek El Aissami e de outros representantes do poder venezuelano "desgraçadamente" demonstram que além de as autoridades não fazerem nada para conter a violência, inclusive a incentivam. "É inaceitável que constantemente se utilize desse argumento para amordaçar, intimidar e ameaçar toda a imprensa que critica o governo", diz a nota referindo-se à complacência de alguns meios privados com relação ao golpe de estado de 2002, contra o presidente Hugo Chávez.

De acordo com a entidade, em dez de setembro deste ano, o candidato a posto de governador do Estado de Carabobo (Centro-Oeste), Mario Silva, produtor do programa "La Hojilla", do canal público venezuelano de Televisão (VTV) e porta-voz do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), divulgou uma conversa telefônica entre militares suspeitos de conspiração para assassinar Chávez.

No dia 15 de setembro, Diosdado Cabello, antigo vice-presidente e candidato à reeleição
ao governo do Estado de Miranda (Norte), acusou Alberto Federico Ravell, Miguel Enrique Otero y Andrés Mata, diretores dos diários El Nacional y El Universal respectivamente, de "incitação ao assassinato". "Iremos atrás de ti, Ravell", ameaçou Cabello.

"Este atentado é um resultado da linguagem violenta dos últimos dias contra o canal", declarou Alberto Federico Ravell, que disse estar disposto para ser interrogado publicamente na Assembléia Nacional.

Foto: Divulgação

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